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terça-feira, 25 de março de 2014

Filme: Alemão

Na noite deste dia 25 de março de 2014, fui com o Márcio ao cinema ver o filme nacional "Alemão". Tirando a falta de energia no meio da sessão e o calor da sala 11 do UCI Cinemas, o filme até que me agradou.

A história de ficção, mas parece um documentário, e é inspirada nos acontecimentos reais de novembro de 2010, quando a polícia invadiu o Complexo do Alemão. Acontece que lá trabalhavam infiltrados 5 policiais: Branco (Milhem Cortaz), Samuel (Caio Blat), Carlinhos (Marcelo Melo Jr.), Danilo (Gabriel Braga Nunes) e Doca (Otávio Muller), pouco antes da invasão da polícia e do exército eles são descobertos pelos traficantes, e ficam presos e sem comunicação aguardando ser resgatados pelas forças policiais.


O Complexo do Alemão é uma área que reúne diversas favelas e é considerada um dos locais mais perigosos do Rio de Janeiro. Assim, o filme nos remete a outros exemplarem nacionais que se passma em favelas cariocas: "Cidade de Deus" e os dois "Tropa de Elite", sendo de um calibre um pouco menor, mas tão interessante quanto.

O roteiro inicia introduzindo o cenário social e político do Rio de Janeiro, com a criação das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora) e a escolha do Rio como cidade-sede das Olimpíadas de 2016. No entanto, o filme ganha força ao focar sua atenção nos personagens, sejam eles policiais, traficantes, ou moradores que se vêm no fogo cruzado da guerra urbana. A tensão está presente em todo o filme, de modo que ficamos atentos a tudo que está sendo mostrado. A sensação de claustrofobia dos policiais é latente, a trilha sonora reforça o clima de guerra em alguns momentos, e os efeitos sonoros de balas, helicópteros estão corretos, méritos da equipe de mixagem de som.

O elenco como um todo está bem, no entanto achei que Cauã Reymond e Antonio Fagundes foram pouco aproveitados, especialmente Fagundes que tem talento de sobra. O galã Raymond não combinou muito como chefe do tráfico, estando ali mais para atrair o público feminino... Milhem Cortaz como de costume rouba a cena com uma atuação marcante, Caio Blat está bem como o policial mais inteligente do grupo, assim como os coadjuvantes desconhecidos que também estão bem nos seus papéis.
O filme não cai no clichê de salvar um ou mais heróis, ou de crucificar os vilões. Todos são vítimas do emaranhado formado pela guerra entre polícia e tráfico, de modo que está nas mãos dos moradores escolher o melhor destino da comunidade, e isso se faz presente em dois personagens, o de Mariana Nunes, que tem um filho com o Playboy (Cauã Reymond) e o motoqueiro cristão, que era informante do delegado. O filme não decepciona em nenhum momento, pelo contrário, surpreende pela audácia de chegar as últimas consequências. Nos créditos finais, vemos algumas imagens dos protestos ocorridos no Rio em junho de 2013...

O produtor Rodrigo Teixeira teve a ideia do filme ao assistir um programa de TV sobre a ocupação do Complexo do Alemão e se perguntar como deveria ser a vida no local antes da operação. Ele escreveu um argumento com base nesta ideia e o enviou a Gabriel Martins, pedindo que fizesse um roteiro a partir deste material. Um mês depois, o roteiro foi concluído.  É o primeiro filme de ficção rodado dentro do Complexo do Alemão depois de pacificado.


José Eduardo Belmonte entrega enfim um filme digno. Destaco no longa a aparição do Omelete nos créditos iniciais e num trecho do filme. É bacana ver quão longe chegaram um grupo que começou como um simples site de cinema. Recomendo. Nota 8,0/10,0.

Vejam o trailer:


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