sábado, 17 de outubro de 2020

A Câmera de Claire


Drama sul coreano A Câmera de Claire (Keul-Le-Eo-Ui-Ka-Me-La, 2017) de Hong Sang-soo está disponível na plataforma Looke em outubro, como parte integrante da mostra Cinema e Reflexão apresenta a programação com o tema ‘o olhar feminino nas cidades contemporâneas’. São quatro longas-metragens realizados entre 2016 e 2019, elogiados pela crítica especializada e com expressiva carreira internacional.

Durante uma viagem de trabalho ao Festival de Cannes, a jovem coreana Manhee (Kim Min-hee) é demitida por sua chefe, após ser acusada de desonestidade. Ao mesmo tempo, Claire (Isabelle Huppert), uma professora de música e escritora francesa, anda pela cidade fotografando com sua câmera Polaroid. 

As duas se encontram por acaso durante o Festival de Cannes e desenvolvem uma amizade quase instantânea. Através das fotografias de Claire, pequenos detalhes sobre a vida de ambas começam a ser revelados.

Veja trailer de A Câmera de Claire:

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Os 7 de Chicago


Drama de julgamento Os 7 de Chicago (The Trial of the Chicago 7, 2020) de Aaron Sorkin é altamente pertinente, ao apresentar o que houve no julgamento dos eventos que ocorreram em 1968 em Chicago, nos eventos políticos norte americanos. É fato, que os protestos democráticos moldam a História, tanto que este julgamento se tornou célebre pelo fato da injustiça reinar. Por mais que o filme aborde temas pesados, o filme é leve!

Em 1968, diferentes grupos contrários à Guerra do Vietnã se reuniram em um grande protesto em Chicago, local em que acontecia a Convenção Nacional Democrata - evento que anunciou a candidatura de Hubert H. Humphrey à presidência. As coisas saíram do controle, houve tumulto e alguém tinha que pagar por isso. A decisão do governo foi acusar um seleto grupo de pessoas de conspiração em um julgamento que entrou para a história.
  
Ambientado no ano de 1969, que acompanha todo o julgamento do grupo formado por Abbie Hoffman, Jerry Rubin, David Dellinger, Tom Hayden, Rennie Davis, John Froines e Lee Weiner. Eles foram julgados e condenados por terem organizado protestos durante a Convenção do Partido Democrata em 1968; o evento se iniciou de forma pacífica, mas, com o choque da polícia, acabou sendo marcado por violência e revolta.

As cenas iniciais, possuem o típico diálogos apressados do roteirista Aaron Sorkin, em apresentar todos os personagens de forma dinâmica e com uma montagem bem fluída, contanto os fatos e o que levaram os 7 a julgamento. Vencendo esta parte inicial, o filme lhe prende diante da tela, com um roteiro magnífico sobre quando aqueles que deveriam praticar a justiça, julgam conforme sua conveniência.

Quando o filme vai para dentro do tribunal, o ritmo fica mais ameno e, entre alguns feedbacks, vemos como o juiz Julius (Frank Langella) atua diante do processo, com uma decisão já pré concebida diante dos réus. Sacha Baron-Cohen entrega um Abbie fenomenal e seu contra ponto Eddie Redmayne como Tom, também está correto. Seus personagens até protagonizam algumas discussões sobre as diferenças de visão dentro da própria causa, e mostram como aqueles que são adeptos a cultura sofrem preconceito estrutural.

São figuras reais, todas elas, e suas missões sociais estão claras; mas, ainda assim, o grupo está limitado à precisão temporal contida no roteiro. Todos estão sendo injustiçados, mas a questão racial é colocado em voga com um dos personagens (o oitavo de Chicago) Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateen II) co-fundador do Partido dos Panteras Negras, que não tem nenhuma relação com os réus, mas ainda assim, ele se mantém presente como réu por praticamente todo o filme, até ser "inocentado" após sofrer inclusive danos físicos, distorções totalmente anti-constitucionais.

O espectador sabe que os julgados não causaram o tumulto com a polícia, como a prova oral feita por Ramsey Clark (Michael Keaton) numa breve, mas marcante participação. O trabalho de Mark Rylance e de Joseph Gordon-Levitt como os advogados do caso também merecem destaque. É uma magistral aula de história contemporânea, altamente pertinente em véspera de período eleitoral.

Segue trailer de Os 7 de Chicago:
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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

A Ilha da Fantasia


Aventura de terror A Ilha da Fantasia (Fantasy Island, 2020) de Jeff Wadlow, não convence ao apresentar uma espécie de reality show de mistério sem graça nenhuma. Dispensável.


A trama acompanha alguns visitantes que visitam uma ilha mágica no meio do Oceano Pacífico que oferece aos seus viajantes a possibilidade de realizar seus sonhos e viver aventuras que parecem impossíveis em qualquer outro lugar. Porém, como avisa o anfitrião da ilha, Sr. Roarke (Michael Pena), realizar seus desejos pode não acontecer da maneira esperada.


a história é desenvolvida a partir da exibição do pano de fundo de cada um do grupo selecionado para vivenciar suas maiores fantasias pessoais. Vingança, um sonho que foi deixado de lado e luto são alguns dos temas que ganham a atenção nos principais núcleos, mas tudo acaba sendo um pretexto para a ação. Temos por exemplo o o drama pessoal de Melanie (Lucy Hale), que envolve diretamente Sloane (Portia Doubleday).
Segue trailer de A Ilha da Fantasia:
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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Dia das crianças 2020

 


E a família maluquinha foi a praia celebrar o #DiaDasCrianças Teve de tudo: banho de mar, pula corda, amarelinha, banho de mangueira, filme, doces, brincadeiras, caça ao tesouro, jogos, presentes, parque de diversões e noite do pijama!

Felizes são meus filhos #PedroSahel e #LucaIzahel, tem pais que topam tudo e tias e vó que fazem um roteiro especial de dia das crianças...


Segue alguns registros:

Passando a tradição de lamber a bandeja do bolo para o primogênito






Davi e Golias

 


Drama bíblico Davi e Golias (2015) de Timothy A. Chey apresenta a conhecida história do pastor de ovelhas que derrotou o gigante filisteu. No entanto o filme tem ritmo lento e parece ter sido realizado na década de 90.

Situada no meio de um embate entre dois dos maiores impérios da Antiguidade, uma batalha de proporções épicas acontece quando um simples pastor chamado Davi se mostra um grande guerreiro ao enfrentar o mais temido campeão inimigo, o gigante Golias. Esta é uma adaptação da famosa história contada na Bíblia, quando Israel superou os filisteus com a coragem de um jovem pastor e sua fé!

Segue trailer de Davi e Golias:
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domingo, 11 de outubro de 2020

O Escândalo

 


Drama jornalístico O Escândalo (Bombshell, 2019) de Jay Roach apresenta como as funcionárias da Fox News denunciaram a cultura de masculinidade tóxica da empresa de mídia norte-americana, levando à queda do magnata Roger Ailes. Mostra como a mídia que ajudou a eleger Trump é comprometida com a moral, os bons costumes e os valores familiares.

O longa acompanha um gigante do telejornalismo e antigo CEO da Fox News, Roger Ailes (John Lithgow), tendo seu poder questionado e sua carreira derrubada quando um grupo de mulheres o acusam de assédio sexual no ambiente de trabalho.

Com um elenco fabuloso de mulheres, interpretando personalidades da Fox News como um esboço dramático do Saturday Night Live. A conclusão é fácil, mas não surpreende quando você considera que esta é uma história sobre o que as mulheres sofrem no local de trabalho. o filme toca numa ferida que a sociedade moderna insiste em desvalorizar, o assédio sexual. No entanto apenas toca, não coloca o dedo na ferida. O confronto de Kelly com Trump e Carlson, mas também quando descreve a fórmula da Fox News para cativar os espectadores mais velhos.

Dada a importância do tema, a direção fluente e o ritmo ágil tornam o filme indispensável, ainda mais em tempos de eleições norte americanas. O filme endossa fortemente a noção de que, se as pessoas se levantarem e se manifestarem contra a impropriedade e a ilegalidade, é possível fazer justiça. Existe de fato a cultura do silêncio, que permite o direito dos homens contra as mulheres que consideram expansíveis, parece inseguro o caminho certo para lidar com hipocrisias conservadoras perpetuando essa mesma toxicidade.

Acompanhe o trailer de O Escândalo

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sábado, 10 de outubro de 2020

Revendo Como Treinar o Seu Dragão 3

 


Na tarde deste 10 de setembro de 2020, na programação de retomada do Cine São Luiz, pós pandemia COVID-19, revi com meus filhos e minha mãe a animação Como Treinar o Seu Dragão 3 (How to Train Your Dragon 3, Estados Unidos, 2016], de Dean DeBlois, animação da DreamWorks animation que emociona e finaliza uma trilogia marcante de uma das franquias de animação mais amadas da história do cinema.


A história aborda a temática do crescimento e da maturidade, sobre encontrar a coragem para enfrentar o desconhecido, e como nada pode nos treinar para aceitarmos as perdas. O que começou como uma improvável amizade entre um adolescente viking e um temível dragão Fúria da Noite se tornou uma aventura épica em suas vidas. 

Na trama, Soluço agora é chefe e governante de Berk, ao lado de Astrid, ele criou uma gloriosa e caótica utopia de dragões. Quando a súbita aparição da Fúria da Luz coincide com a ameaça mais sombria que sua aldeia já enfrentou, Soluço e Banguela devem deixar seu verdadeiro lar e viajar para um mundo escondido que só existe nas lendas. À medida que seus verdadeiros destinos forem revelados, o dragão e o cavaleiro lutarão juntos - até os confins da Terra - para proteger tudo o que eles construíram até aqui.

Segue trailer de Como Treinar o Seu Dragão 3: 

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Revendo Aladdin

 


Na tarde desse 10 de outubro, revi com meus filhos e minha mãe no cinema o live action Aladdin (2017) de Guy Ritchie, que já havia visto no cinema com meus filhos em junho de 2019.

Na trama, um jovem humilde descobre uma lâmpada mágica, com um gênio que pode lhe conceder desejos. Agora o rapaz quer conquistar a moça por quem se apaixonou, mas o que ele não sabe é que a jovem é uma princesa que está prestes a se noivar. Agora, com a ajuda do gênio, ele tenta se passar por um príncipe para conquistar o amor da moça e a confiança de seu pai.

Reveja o trailer de Aladdin

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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Não Vamos Pagar Nada

 


Comédia nacional Não Vamos Pagar Nada (2019) de João Fonseca brinca com a atual situação econômica do país, que por vinte centavos foi às ruas para apoiar o golpe que destituiu uma presidente honesta. totalmente fora de timing, tentando ser uma crítica social, mas satirizando a fome que assola milhares de famílias enquanto um governo genocida tripudia da população menos favorecida.


Na trama, vemos Antônia (Samantha Schmütz), que indignada com o aumento dos preços no único mercado do bairro, faz um escândalo e acaba causando confusão ao saquear o mercado e se recusar a pagar. Agora, ela vai precisar de muito jogo de cintura para justificar suas atitudes ao marido João (Edmílson Filho).

Ao fazer as compras do mês, fica inconformada com os preços abusivos cobrados pelo novo dono do supermercado e, sem querer, acaba liderando um motim. Após saquear a loja junto com os outros fregueses, ela precisa se virar para esconder o roubo do esposo e dos policiais. É impossível não traçar paralelos entre a ficção e a vida real dos brasileiros, que nos últimos meses convivem com a alta dos preços de alimentos básicos.

Com produção de A Fábrica (mesma produtora do ‘Vai que cola’) e coprodução da Globo Filmes, o longa-metragem tem roteiro de Renato Fagundes. A inspiração é a peça “Non Si Paga, Non Si Paga!”, escrita pelo italiano Dario Fo (Prêmio Nobel de Literatura em 1997) em 1974. A música “Gente”, de Caetano Veloso, marca o final do longa na voz de Crioulo e Samantha Schmütz, bem ao estilo Bollywood, com os personagens dançando em cena.

Veja o trailer de Não Vamos Pagar Nada:
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quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Fuga de Pretória

 


Baseado em fatos reais, Fuga de Pretória (Escape From Pretória, 2020) de Francis Annan narra a incrível história de dois homens brancos sul-africanos que foram presos por terrorismo em razão do seu envolvimento em operações secretas contra o Apartheid e que conseguiram fugir de uma prisão na África do Sul, usando a inteligência.

Fuga de Pretória relata a história verdadeira de Tim Jenkin (Daniel Radcliffe) e Stephen Lee (Daniel Webber), jovens sul-africanos que carregavam a marca de “terroristas” e foram presos em 1978 por trabalharem em operações secretas para o partido proibido de Nelson Mandela, o ANC. Estando encarcerados na Prisão de Segurança Máxima de Pretória, eles decidem enviar uma mensagem ao regime do Apartheid. Com planejamento detalhado e a produção de chaves de madeira projetadas para abrir 10 portas de aço, eles foram em busca de sua liberdade.

O filme acaba prendendo a atenção e nos faz torcer pelos fugitivos. Ficamos tensos, sobretudo quando os personagens são pessoas às quais nos apegamos, sentimental ou ideologicamente. Embora falte um pouco de aprofundamento político de alguns personagens, o longa empolga.

Com roteiro inspirado no livro de Tim Jenkin, o roteiro de Francis Annan e L.H. Adams é bastante focado na fuga em si, com Jenkin pensando as estratégias e confeccionando, testando ou escondendo as chaves de madeira. A história ainda traz Denis Goldberg (Ian Hart, o padre Beoca de Tha Last Kingdom) como um dos personagens e é um pouco decepcionante ter ele como apenas mais um prisioneiro que, vez ou outra, tem uma contribuição mais significativa.

O diretor prioriza os planos-detalhe como o suor escorrendo ou os dedos que tentam segurar a porta do armário de filmes a qualquer custo. Além disso, juntamente com a montagem, parece conseguir dilatar o tempo toda vez que uma chave é testada, agregando tensão: sabemos que eles conseguem fugir, mas não conseguimos prever quando uma das chaves poderá falhar ou simplesmente quebrar.

Acompanhe o trailer de Fuga de Pretória:

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terça-feira, 6 de outubro de 2020

Bloodshot




Ação baseado no quadrinho best-seller da editora Valiant Bloodshot (2020) de Dave Wilson tem uma premissa interessante, mas uma execução que prioriza o espetáculo das cenas de ação em detrimento ao que está sendo contado, se tornando um filme fútil. Deve ser visto sem compromisso sério.




Depois de ser morto em combate, o soldado Ray Garrison (Vin Diesel) é trazido de volta à vida com um exército de nanotecnologia em suas veias e poderes sobre-humanos: uma incrível força e a habilidade de se curar instantaneamente. Sem memória, ele está decidido a descobrir a verdade sobre quem realmente é. Com algumas cicatrizes a mais, ele retorna aos braços da esposa, Gina (Talulah Riley), e ao paraíso onde moram, numa idílica vila italiana. A calmaria é interrompida quando o casal é sequestrado e levado a um frigorífico. Amarrado a uma cadeira, Garrison presencia Gina ser executada sadicamente ao som de "Psycho Killer", hit-chiclete do Talking Heads. Ele jura vingança ao assassino antes de também receber um tiro fatal.

Assim, alguns visuais do filme são impecáveis, como a primeira cena em que Garrison demonstra seus novos poderes, em meio ao breu de um túnel de Budapeste envolto em farinha. A cena em queda livre no elevador também chama atenção, pois parecem extraídas de um game. Inclusive o diretor fez carreira criando cenas animadas para jogos eletrônicos de publishers como BioWare, Ubisoft e Bethesda. No mais, Vin Diesel está carismático como costume, Guy Pearce aparece canastrão como o megalomaníaco Dr. Harting, a mente responsável pela tecnologia revolucionária. Não merece ser levado a sério, mas não é de todo ruim.

Segue trailer de Bloodshot:

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domingo, 4 de outubro de 2020

O Carteiro nas Montanhas



Drama chinês O Carteiro nas Montanhas (Na shan na ren na gou, 1999) de Huo Jianqi proporciona reflexão ao narrar uma viagem extraordinária de pai e filho, numa passagem de bastão, envolvendo inclusive questões culturais numa espécie de road movie à pé. 

O longa narra a história de um homem que passou a vida entregando correspondências, em uma região montanhosa da China, e que agora é forçado a aposentar-se por problemas de saúde. A expressão "de pai para filho", é muito conhecida e usual, provavelmente também seja universal.

O filme começa quando o carteiro está preparando e ordenando as correspondências com seu filho de 24 anos que, no dia seguinte, passará a fazer o mesmo trabalho. Tudo deve ser meticulosamente classificado e embalado para não ocorrerem equívocos, omissões e dificuldades com o mau tempo que poderia danificar as correspondências.

Na manhã seguinte, o filho se prepara para a viagem. É uma rota longa e acidentada e a viagem levará três dias. Ele será acompanhado pelo cachorro da família, conhecedor profundo do caminho porque sempre esteve ao lado do pai, auxiliando-o em uma série de funções. Mas, o cão não quer seguir o filho e o pai resolve acompanhar o jovem.

O filho é o narrador “in off” do filme. Durante o percurso, ele vai nos relatando seus sentimentos em relação ao pai. Procura competir com ele, relutando em descansar para que o pai não note a sua fragilidade e, por isso, decide parar apenas quando o genitor se cansar. Chega até mesmo a sugerir que o velho retorne à casa.

Quando menino, fora criado por sua mãe porque o pai estava ausente por longos períodos. Por causa dessa educação distante, diz que não sabia o que conversar com o pai. Tinha medo dele, embora nunca tivesse sido surrado. Era uma sensação muito estranha, diz o jovem, porque sentia saudade dele mas temia-o sem saber por quê. Muito raramente o chama de pai. A caminhada representa, portanto, o mais longo período de tempo em que passaram juntos.

Na trama, vemos a passagem literal da função desempenhada pelo carteiro, aquele que irá sucedê-lo em sua jornada, uma espécie de rito à tradição de uma cultura quase extinta. A cultura do respeito, da reverência e do reconhecimento aos valores do seu semelhante, adquiridos ao longo dos anos de trabalho, sacrifícios e estradas percorridas, invariavelmente sinuosas e acidentadas. A associação da viagem como forma de operar uma incursão ao autoconhecimento é muito oportuna.

A caminhada pelas montanhas provoca uma mudança na vida dos dois personagens. Em um dia, o filho vai pouco a pouco descobrindo facetas do pai que até então desconhecia. O pai, que parecia inacessível e distante, mostra-se um homem sábio como portador de boas e más notícias, cultivador de muitas amizades, conselheiro compreensivo de muitos, querido e respeitado por todos, que desempenha papel importante na ligação dos habitantes locais com o mundo exterior. E, sobretudo, sente-se orgulhoso do filho que herdou sua posição. E o filho agora descobre o significado humano do trabalho exercido pelo pai.

A fotografia deslumbrante e a simplicidade com que atuam os protagonistas dessa quase metáfora sobre o sentido da vida, dão à obra do cineasta chinês Jianqi Huo o merecido status de cult entre os chamados filmes de arte. O filme tem seus dramas complicados ou paradoxos da existência humana; a beleza do cenário se articula com a beleza contida nas conversas, nas pequenas histórias humanas e nas lembranças do pai com respeito ao seu casamento e a sua vida passada com a família. E agora o pai vê o filho se interessar uma jovem das montanhas — o mesmo que havia ocorrido com ele décadas atrás.

Segue trailer de O Carteiro nas Montanhas: 

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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Não Matarás



Drama Não Matarás (Krótki film o zabijaniu, 1988) de Krzysztof Kieślowski mostra a crueza da violência, e das consequências que ela gera na vida de quem a comete. Versão em longa-metragem de um dos capítulos da série da televisão polonesa “Decálogo”.


Como parte da sua programação especial de reabertura, o Cinema do Dragão e a Imovision trouxeram uma retrospectiva com 10 filmes de Krzysztof Kieslowski , diretor polonês considerado o poeta da luz de uma filmografia única e humana, que lhe rendeu 3 indicações ao Oscar e a frequente seleção nos principais festivais de cinema do mundo, como Cannes, Veneza e Berlim, onde ganhou diversos prêmios.

Para quem é apaixonado por cinema e não conhece a obra Kieslowski, foi uma oportunidade de conhecer a produção desse grande cineasta na telona. Pra quem já admira o trabalho do diretor, é uma experiencia incrível poder ver suas obras exibidos em cópias restauradas em DCP 2K, entre os quais o primeiro longa do diretor para cinema. Neste belo e perturbador filme, com uma quantidade mínima de diálogos, um jovem polonês desempregado Jacek Lazar (Miroslaw Baka), obcecado pela violência, mata friamente um motorista de táxi. Um advogado idealista recém-formado é designado para defendê-lo na Justiça.

A primeira parte do filme narra os passos de três personagens que não se conhecem. Um deles é um motorista de táxi, indivíduo desagradável, que divide seu lanche com um cão e, ao mesmo tempo, se diverte fazendo esperar inutilmente pessoas que necessitam do seu serviço. Outro personagem é Jazek, que vagueia pela cidade, pouco se comunicando com outras pessoas, mas que ri com doçura quando vê crianças. Sem qualquer razão imediata, Jazek leva o taxista — a quem nem ao menos conhece — para um local remoto, assassina-o cruelmente e rouba seu carro. É preso e condenado à forca e sua defesa ficará a cargo de um jovem advogado estreante na profissão. Esse é o terceiro personagem acima referido e boa parte do filme trata da sua relação com o assassino Jazek.

Em “Não matarás” é possível distinguir três aspectos significativos. O primeiro é o jurídico. Convém citar que o próprio roteirista Krzysztof Piesiewicz é advogado de longa e brilhante carreira profissional, principalmente de defesa criminal e defesa de políticos. Atuou como juiz de direito, promotor e membro do Senado Polonês. Por essa razão, uma parte do filme é dedicada à discussão de questões envolvendo a Justiça. Assim, o advogado, que está sendo submetido a um exame final para conseguir exercer a profissão, mostra-se com dúvidas para responder à pergunta sobre as razões que o levaram a escolher o ofício. Sua resposta é que não sabe, mas que a profissão o atrai porque tem uma função social e que terá a oportunidade de conhecer e entender pessoas. E faz uma afirmação surpreendente: “Acredito que conforme os anos vão passando, a resposta à sua pergunta se torna mais ambígua”. Ao final, ele se mostrará revoltado com aquilo que entende ser injusto na condenação de Jazek.

O segundo aspecto é o psicológico. O filme possibilita uma discussão sobre a psicologia do homicida, de modo geral, e a de Jazek em particular. O espectador é motivado a responder à pergunta: por que o jovem mata um desconhecido e o faz da forma narrada no filme?

O terceiro aspecto é o religioso. Afinal, “Decálogo” apresenta os Dez Mandamentos sob ângulos incomuns, algumas vezes desconcertantes, totalmente diferentes aos que estamos habituados. O quinto Mandamento, “Não matarás”, é dos mais transgredidos pelos seres humanos, principalmente pelos Estados, como comprovam as mortes em massa no século 20 sob pretextos variados: genocídios de minorias, genocídios étnicos, assassínio de inimigos políticos. E sempre lançando mão de métodos cruéis como a morte pela fome ou por execução pelos diversos meios que os seres humanos têm estupenda imaginação para criar.

O longa ganhou o Prêmio do Júri e da FIPRESCI no Festival de Cannes de 1988.Prêmio de melhor filme no European Film Awards do mesmo ano.

Segue filme disponível on line:

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<p><a href="https://vimeo.com/344332099">N&atilde;o Matar&aacute;s (1988), de Krzysztof Kieślowski - ative as legendas em portugu&ecirc;s</a> from <a href="https://vimeo.com/user84170869">Cine Antiqua</a> on <a href="https://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>



terça-feira, 29 de setembro de 2020

O Segredo - Ouse Sonhar

 



Romance de auto ajuda O Segredo - Ouse Sonhar () de Andy Tennant, baseado no best seller O Segredo (The Secret) de Rhonda Byrne, publicado em 2006, alguns meses após o lançamento do documentário homônimo. É baseado na lei da atração e afirma que o pensamento positivo pode criar resultados de mudança de vida, tais como o aumento da felicidade, saúde e riqueza.


Miranda (Katie Holmes) é uma viúva que se esforça para criar três filhos sozinha, até que uma tempestade traz um grande desafio e um homem chamado Bray Johnson (Josh Lucas) para sua vida. Ela namora com o dono do restaurante em que trabalha (Jerry O’Connell), mas a presença de Bray revitaliza a família, mas ele possui um segredo que pode mudar tudo.

Não costumo gostar de filmes de auto ajuda, inclusive nunca vi O Segredo e não gosto tanto da importância que dão a esse tipo de filme. Mas respeito o público do livro e o filme foi me cativando aos poucos, a ponto de termos empatia pela história apresentada, onde os princípios do livro ficam em segundo plano e são abordados indiretamente.

A trama é bem contextualizada num mundo em crise, onde enfrentamos desastres naturais. Se passa numa daquelas cidadezinhas pequena americanas que mesmo as pessoas mais pobres moram em casas maravilhosas. Até o pôr do sol parece mais lindo. Lembra um pouco os romances de Nicholas Sparks, que eu adoro.

Veja trailer de O Segredo - Ouse Sonhar:
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sábado, 26 de setembro de 2020

59 anos da D. Sâmia




Neste 26 de setembro de 2020, celebramos os 59 anos vividos pela D. Sâmia. Primeiro com um café da manhã farto. Depois com um almoço em família. Por fim um bolo com parabéns à tarde.


Somos gratos a Deus por desfrutar da companhia e de seu amor. 




Tudo que sou e tenho devo a esta mulher batalhadora, empoderada, que muito suou para educar seus dois filhos e agora se dedica ao apoio aos netos Sara, Sahel e Izahel.


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