terça-feira, 15 de agosto de 2017

Valerian e a Cidade Dos Mil Planetas

Ficção científica Valerian e a Cidade Dos Mil Planetas (Valerian and the city of a thousand planets, França, 2016), de Luc Besson é baseada na clássica saga de histórias em quadrinhos Valerian et Laureline (1967), escrita por Jean-Claude Mézières e Pierre Christin e que serviu de influência inclusive para George Lucas e a saga Star Wars. Quanto ao filme, poderia ser bem melhor se cortassem a participação dos personagens da Rihanna e do Ethan Hawke que nem influem, nem contribuem.

O filme se passa no século XXVIII, onde Valérian (Dane DeHaan) é um agente viajante espacial que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado. Eles lutam em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que desejam destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.

O grande mérito do filme é seu prólogo, quando ouvimos Space Oddity de David Bowie e acompanhamos o crescimento da estação espacial. Ao longo do filme, vemos o uso adequado das imagens e dos efeitos visuais, mas o roteiro do filme é fraco e não empolga. Não vi um 3D revolucionário e sim o de sempre, que é plenamente detestável.

A história que gira em torno dos Pearls, seres carismáticos, brilhosos, lembram um pouco os Na’Vi de Avatar (2009) de James Cameron. No entanto, o filme não respeita seus personagens, apresentando o problema, deixando o mesmo de lado por questões banais e retomando eles no final para só então solucioná-lo. Entendo a utilização da Rihanna como chamariz de um público específico, mas sua personagem Bubble é tão deslocada que não faria falta, apesar da bela apresentação que ela faz em cena.

O elenco não se destaca. Não senti química entre Dane DeHaan e Cara Delevigne, acho que houve erro na escalação do elenco principal. O talento de Clive Owen é desperdiçado, utilizando seu personagem apenas no primeiro e no terceiro ato, Rihanna e Ethan Hawke, poderiam ser descartados da produção e não fariam falta, e talvez até contribuíssem para um melhor ritmo do filme, pois tirariam a desnecessária barriga do segundo ato. Uma vez que não gosto de Star Wars, não era de se esperar muita coisa de Valerian..

Veja o trailer de Valerian e a Cidade Dos Mil Planetas:


domingo, 13 de agosto de 2017

Dia dos Pais 2017


O dia dos pais 2017 foi especial. Começamos pelo café da manhã na casa do patriarca da família Nascimento. As crianças fizeram uma festa com os fantoches que a tia Simone deu pra eles brincarem.



Teve muito bolo (mole, de milho e um delicioso de abacaxi), tapioca, pães, cuzcuz, batata doce, suco, café e leite. Foi farto o colaborativo café.



Meus planos era de lá ir pro parque do Cocó, no entanto me fizeram ir à escola bíblica, para ser homenageado e quem sabe até ganhar um brinde em algum sorteio ou brincadeira.



Então, trataram de conseguir uma roupa do meu avô, me vestiram e lá fui eu com a família para a igreja onde passei tantas manhãs de domingo.



A programação especial do dia dos pais, contou com distribuição de certificado de melhor pai do mundo pelas crianças da igreja. Teve declaração e até oração dos pequeninos. De encher os olhos...


Depois, as adolescentes foram entoar um lindo jogral. Pena que diferente das outras meninas, a Sara (minha sobrinha amada) coloca o papel na frente do rosto! Foi exibido também um vídeo com declarações de filhos para seus pais.


Muito emocionante, mas não tanto quanto o relato daqueles que tiveram oportunidade de ir à frente fazerem homenagens. Fui surpreendido pela Sara que falou palavras lindas direcionadas a mim, a quem ela tem por figura paterna! S2


O Pr. João Batista fez uma breve reflexão sobre o fato do pai ser uma caricatura do Criador, em função do pecado, que não nos permitiu ser a imagem e semelhança de Deus (o plano original). Após ministrar sobre a integridade, a honestidade e alguns valores que o pai deve transmitir aos seus filhos, usando mais do exemplo do que palavras, os pais foram convidados a irem à frente para serem presenteados com uma linda caneca, numa bela caixinha.


Após a Escola Bíblica Dominical, esperamos para o almoço em família: baião de dois com frango. Acompanhado de farofa e macaxeira. Passamos bons momentos juntos, brincando com as crianças, ouvindo músicas, chupando laranja/garrafinha, vendo Popstar e aproveitando a companhia familiar.

À tarde, fomos ao culto na IBC, pois era o primeiro domingo do semestre do Geração Futuro. Izahel ainda não se enturmou no galpão vermelho... tanto que chorou que provocou. Mas com o apoio da Louise e do tio Diego ele ficou no galpão. No entanto, demoramos bastante e ao chegarmos no galpão azul, não conseguimos mais vaga para o Sahel.


Na tenda, tive sérios problemas em permanecer acordado, até mesmo durante os louvores, pois tomei uma medicação para a coriza que estava tendo e acabei ficando com muito sono. Só sei que ouvi Vou Me Lembrar do Resgate no recolhimento das ofertas. Após o culto, revimos o Jefferson da Kelly e o parabenizamos pela paternidade recém descoberta. Ligamos para Conceição parabenizando por seu aniversário e fomos celebrar o dia dos pais com a família Marcelino na casa do Chico, digo no Via Pizza, saboreando uma Paulista, uma Nordestina e uma Margherita.

sábado, 12 de agosto de 2017

Revendo Em Ritmo de Fuga, dessa vez com as crianças!


Muito se fala sobre censura de filmes, especialmente para o público infantil. Vejo muita hipocrisia em proibir uma criança ver um filme adulto no cinema, se na TV ela é bombardeada com programação de novelas e comerciais cujo conteúdo é extremamente inapropriado. 
Inclusive me candidato a ser membro do Grupo Permanente de Colaboradores Voluntários para auxiliar na atividade de classificação indicativa, vinculado ao Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação da Secretaria Nacional de Justiça. Acredito que o departamento só exista para burocratizar e contribuir para arrecadação de fundos voltados para a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional - CONDECINE.


Então, prefiro levar meus filhos para ver um filme como Em Ritmo de Fuga, cuja censura é 14 anos, do que permitir que eles vejam comerciais de bebidas alcoólicas por exemplo. Felizmente a Lei de Classificação Indicativa permite que à critério dos pais, as crianças e adolescentes adentrem as salas de exibições, desde que acompanhado por um dos pais (com exceção óbvia aos filmes de classificação indicativa 18 anos). Ah, mas filme com tiros e mortes... Pior é permitirem a venda de armas de brinquedo, mas voltemos para o assunto desse post.


Bem, felizmente o Izahel que já estava um pouco cansado e dormiu a maior parte do filme. Em dois anos de vida, ele já esteve em 50 sessões de cinema!) De início, se assustou durante os trailers de filmes de terror (It - A Coisa e Anabelle 2), mas cuidei de tapar os olhos dele como sempre fiz com o Sahel nessa situação. O Sahel (que chegou ao número de 173 sessões de cinema em seus 6 anos de existência) já faz isso sozinho (afinal o garoto é bem orientado...) e o mais interessante, ele fecha os olhos e tapa os ouvidos...! Passado os trailers, chegamos ao filme.



Tive o privilégio então de apresentar ao meu filho a obra prima que é o filme de Edgar Wright. E ele gostou! Expliquei para ele ficar atento a questão da trilha sonora que é ótima e praticamente não para durante todo filme, tendo suas cenas literalmente guiadas no ritmo da canção que está sendo tocada. Nessa segunda assistida, percebi claramente que até os tiros que são dados ao longo da projeção, estão em sintonia com a música. Algo fenomenal usar a estrutura narrativa com base na fenomenal trilha sonora do longa.


A trama acompanha o protagonista Baby (Ansel Elgort), que é chamado assim por conta de sua jovem aparência. Ele trabalha como motorista para diferentes ladrões de banco em fuga para quitar uma dívida que tem com Doc (Kevin Space). Certo dia, ele se mete em apuros quando um assalto aos Correios dá errado.



Prestes a largar a vida de crime, ele conhece a garçonete Debora (Lily James) se tornando mais uma motivação para o rapaz largar a vida como piloto de fuga. Ele que ouve música o tempo todo, em função de um zumbido que tem no ouvido, problema decorrente do acidente que sofreu na infância e vitimou seus pais.



O filme é grandioso por ser sutil. Por exemplo, nas cenas em que Baby não está ouvindo suas músicas, o público passa a ouvir o zunido que ele ouve, ou na cena após o belíssimo epílogo, em que Baby caminha pelas ruas ouvindo Harlem Shuffle de Bob & Earl e até as pichações da cidade são trechos da música que está sendo reproduzida, entre outras coisas magníficas. No final dançamos em frente à tela, acompanhando os créditos (algo que infelizmente é tão desvalorizado pelo público geral). A equipe de dublagem, que surge após os créditos, desempenha um ótimo trabalho, uma vez que não comprometeu a excelente mixagem de som da versão original. 

Confira o trailer dublado de Em Ritmo de Fuga:

Super Heróis na Arena Iguatemi e constrangimento na saída do shopping


Na tarde deste sábado, 12 de agosto de 2017, após uma sessão de O Reino Gelado: Fogo e Gelo, estive com meus meninos acompanhando a apresentação teatral dos Super Heróis na Arena Iguatemi.


A Liga da Justiça (Batman, Superman e Mulher Maravilha) enfrentaram os vilões (Charada, Arlequina e Bane) num texto simples, mas bem trabalhado voltado para o público infantil.





Izahel ficava receoso com as aparições dos vilões, especialmente do Bane, que tinha o visual mais assustador e ficava se escondendo atrás de mim. Lembrei da fase em que o Sahel fazia o mesmo...


Depois, tomamos sorvete e fomos para mais uma sessão de cinema.


Foi um momento marcante na presença dos meus meninos. Pena que na saída do shopping, fomos constrangidos em função de uma diferença no valor do estacionamento, onde tive que deixar o carro na saída de veículos, para ir pagar mais R$ 2,00, apesar dos R$ 7,00 já pagos...


Acontece que ser informado de tal situação, manobrei o veículo e procurei algum guichê de estacionamento, mas como explicar para as crianças que já estavam ansiosas pela mãe, que não iríamos mais embora, pois tinha que pagar de novo o estacionamento...


Por se tratar de um sábado, véspera de dia dos pais, o shopping estava lotado, logo não consegui vaga para estacionar e pagar a diferença. Com as crianças chorando no carro, retornei para saída e expliquei a situação para o segurança Renato, que se compadeceu da situação, mas ao acionar seus supervisores, foi informado da impossibilidade de liberação da cancela.


Tive então que tirar as crianças do carro, deixar o carro na cancela e ir num guichê pagar a diferença. Agora acionarei os advogados para verificar se cabe uma ação penal contra o shopping pelo constrangimento ao qual fui submetido.



Agradeço ao shopping pelo inesperado presente de Dia dos Pais. E parabenizo por cuidarem melhor dos animais do que dos seres humanos que vão ao shopping.

O Reino Gelado: Fogo e Gelo


Animação russa O Reino Gelado: Fogo e Gelo (Snezhnaya koroleva 3. Ogon i led, Rússia, 2016), de Aleksey Tsitsilin continuação de O Reino Gelado e O Reino Gelado 2 baseada na obra A Rainha de Gelo (1845) de Hans Christian Andersen tenta aproveitar a hype de Game Of Thrones apresentando uma história sobre cobiça pelo poder e a força que há na família.

O raro talento de se meter em problemas é o legado da família de Kai e Gerda. O que mais você poderia esperar de quem foi criado em montanhas nevadas por trolls? Crescidos, e após uma briga boba por ciúmes, os irmãos se metem em um desastre de proporções globais, tudo para encontrar seus pais que estão desaparecidos após serem levados pelo Vento do Norte

O grande acerto da animação é a alternância entre momentos de ação e de drama familiar, com diálogos bem escritos e de fácil entendimento do público infantil, ao qual o filme é direcionado. Então por mais que o roteiro seja simples e previsível, afinal trata-se de uma fábula, ele cumpre o papel de entreter os pequenos e dar uma lição válida.

Larissa ManoelaJoão Guilherme ÁvilaJoão Côrtes e Lipe Volpatto fizeram a correta dublagem nacional. Chama atenção a evolução da qualidade de produção da franquia, a ponto de que se assistir na sequencia, as mudanças são perceptíveis. Fica claro que a computação gráfica hoje em dia está cada vez mais acessível a produções de menor escalão. Espero em breve ver uma animação brasileira em alta qualidade, pois muitos tupiniquins estão adquirindo experiência nas gigantes mundiais (Disney/Pixar e DreamWorks).

Assista ao trailer dublado de O Reino Gelado: Fogo e Gelo:

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Casal Feliz - Ton Carfi

Gosto muito das canções do Ton Carfi. Curto demais o álbum À Espera De Um Milagre (2009) que me apresentou o cantor há alguns anos, mas compreendi quando Ton emplacou músicas mais voltadas para o público jovem nos álbuns Revolução (2012), Jesus Me Conquistou (2013) e no #SomosUm (2015) que tem inclusive o já clássico Porque Eu Te Amei.

Recentemente lançou o álbum História de Davi (2017) que tem uma pérola entre as canções, trata-se de Casal Feliz. Uma ótima pedida para véspera de Dia dos Pais. Confiram o clipe:

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Malasartes e o Duelo Com a Morte


Comédia nacional recheada de efeitos especiais Malasartes e o Duelo Com a Morte (Brasil, 2016) de Paulo Morelli resgata um ambiente interiorano para apresentar Pedro Malasartes, um jovem ingênuo, mas malandro o suficiente para que com a sua lábia, se aproveite da boa vontade das pessoas para se dar bem, se perdendo durante a narrativa situada no munda da morte, ceifadora de almas que coloca a esperteza de Malasartes à prova.
Uma comédia sobre as aventuras de Pedro Malasartes (Jesuíta Barbosa), personagem tradicional do folclore ibero-americano que vive de pequenas trapaças. Gaiato fanfarrão, Malasartes terá de enfrentar dois grandes inimigos: Próspero (Milhem Cortaz), que fará de tudo para impedir que sua irmã Áurea (Ísis Valverde) namore um sujeitinho preguiçoso, sem coragem e imprestável como ele, e a própria Morte encarnada (Julio Andrade) , que quer tirar férias depois de dois mil anos ceifando vidas e pretende que Malasartes o substitua em seu tedioso cargo, vaga que será disputada por outros personagens.

Apesar de já ter sido adaptado para o cinema em 1960, o personagem Pedro Malasartes tem uma origem ainda mais antiga que se torna quase impossível recapitula-la. É dito que suas primeiras menções foram nos séculos XIII e XIV, não em literatura, mas na cantiga 9418, do Cancioneiro da Vaticana. Ao longo dos anos, o personagem foi sendo adaptado para a literatura, em obras de diversos autores.

A direção do filme mostra claramente o empenho de Pedro Morelli, que tentava fazer esse filme desde os anos 1980, quando pretendia usar o roteiro para uma série de TV. A direção de arte também é cuidadosa e os efeitos especiais dominam boa parte das cenas, especialmente aquelas realizadas no mundo da morte. Gostei muito da cena em que Malasartes caminha carregado pelas cordas das velas...

O elenco como um todo está bem, mas destaca-se a participação de Augusto Madeira, como Zé Candinho, que se torna amigo de Malasartes, mesmo após ter sido enganado por ele. Leandro Hassum surge estereotipado como auxiliar da morte. Lamenta-se apenas o cuidado com o visual do filme ter sido maior que o cuidado narrativo. É um filme doce e ingênuo que não faz mal a ninguém.

Segue trailer de Malasartes e o Duelo Com a Morte:


Expopais Escola André Barros

Neste 10 de agosto de 2017, estive na Expopais da Escola André Barros, conferindo a apresentação artística realizada pelos alunos. Ganhei uma caixinha com um abraço, um chocolate engravatado e um porta retrato, tudo elaborado com material descartável e papel e claro a arte do filhão.

Foram escolhidos os melhores alunos de cada turma, para que o "Pai Nota 10" fosse presenteado com um lindo boné da escola. Fiquei muito feliz em ter o filho escolhido em sua turma!

Foi falado sobre a importância de valorizarmos os pais, de educarmos as crianças para que elas possam enfrentar as dificuldades que a próxima geração terão. Ao convidarem os pais, falei sobre como sempre me senti triste na infância, por não contar com a presença do meu pai nos festejos escolares do dia dos pais.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O Homem Que Cuida


Com uma forte crítica social implícita, drama O Homem Que Cuida (El hombre que cuida [Première Brasil] Rep. Dominicana/Porto Rico/Brasil. Ficção. 85 min. 18 anos, 2017) de Alejandro Andújar, que apresentou seu primeiro longa de ficção como diretor, foi exibido no 27º Cine Ceará - Festival Ibero Americano de Cinema apresentando a rotina de um caseiro numa praia caribenha.

Juan (Héctor Aníbal) mora isolado no pequeno povoado de pescadores de Palmar de Ocoa, onde trabalha como caseiro numa casa de praia na propriedade de uma família endinheirada da capital. Mesmo sendo um jovem de 25 anos, já passou por maus bocados na vida, inclusive a traição de sua esposa, e agora está tentando recomeçar. Mas sua rotina pacata será interrompida pela chegada sem aviso do filho do dono e seus amigos para passar o fim de semana.

Juan é literalmente corno, e usa a raiva contida para se dedicar ao patrão, a quem ele é extremamente fiel. Os jovens que vão passar o fim de semana na casa, mostram a completa irresponsabilidade inerente da idade, e expõem a diferença entre ricos (Rich, o filho do do proprietário do imóvel ), pobres (Karen, a jovem negra da região) e a classe média (o amigo aproveitador). 

Tudo transcorre de modo natural, até que o rico estupra a pobre (algo que os ricos fazem em seu cotidiano de exploração), enquanto a classe média flerta com a paixonite do rico. Juan testemunha o estupro, mas nada faz pra evitar, embora tenha avisado anteriormente tanto para o rico, quanto para a pobre que não era adequado permanecerem no mesmo ambiente. Sobra então pra Juan resolver o problema após a jovem Karen ficar desacordada após ser violentada.

A princípio eu não entendi o que o diretor do filme quis transmitir. Mas escrevendo essas palavras, ficou bem claro a crítica social implícita no longa que tem participado de diversos festivais, como o Cine Global Dominicano 2017, o Yellow Robin Award Competition e sendo submetido a curação do IFF Rotterdam 2017.

Veja o trailer de O Homem Que Cuida:

Pedro Sob a Cama


Emocionante drama familiar Pedro Sob a Cama (Première Mundial. Ficção. 100 min. 14 anos, 2017) de Paulo Pons (que apresentou o filme) exibido na 27° edição do Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema numa cópia que embora tenha apresentado alguns problemas técnicos, e com uma qualidade de som própria de filme com baixo orçamento, conseguiu tocar meu coração e me levar as lágrimas. 



O filme apresenta em seu prólogo uma tragédia familiar envolvendo o empresário Mariano (Fernando Alves Pinto, que subiu ao palco antes da exibição), que de início se mostra ser uma pessoa rude ao administrar seus funcionários com mão de ferro, trata com rigor e impaciência sua cunhada Flávia (Fernanda Thuran) que é viciada em drogas e demonstra certo carinho com a esposa Júlia (a cearense Suzana Castelo que também esteve apresentando o filme) e com o enteado Mani (Konstantinos Sarris), até o traumático incidente trágico que resulta na morte de Júlia em plena festa de comemoração de seu aniversário, estando ela grávida.


Oito anos se passam e então conhecemos Pedro (Gabriel Furtado, bela revelação), um cativante menino sonhador que foi abandonado pelo pai Mariano após o fatídico ocorrido. Certamente por decorrência dos traumas do acidente que envolveu a morte de sua mãe e seu nascimento de forma prematura, Pedro não fala, mas ouve e compreende tudo a sua volta, utilizando a tecnologia do celular para se comunicar com sua tia/mãe Júlia, que largou os vícios para se dedicar aos garotos.

Ao saber do retorno de Mariano para a pequena cidade onde vivem (filmado em Pedro Osório, RS), Pedro tomou uma decisão ousada: invadir de forma sorrateira a nova casa onde seu pai vive e se esconder debaixo de sua cama, com intuito de acompanhar um pouco da rotina do homem que ele pouco conhece, mas que tem laços sanguíneos. Lá, ele acaba criando um mundo particular e fantástico para si. A autenticidade das cenas com Gabriel Furtado é fabulosa.




Mariano se mostra uma pessoa transformada após o ocorrido e tem o objetivo de encontrar o filho que jamais conhecera. Ele não é mais uma pessoa grosseira, consegue um humilde emprego de serviços gerais numa pequena empresa, para se sustentar, tocar sua vida e enfrentar os traumas mal resolvidos. Na busca pela redenção, ele procura o perdão do enteado e estabelecer um relacionamento com o filho, mas é confrontado pela vó dos meninos (Betty Faria) que busca impedir que ele tenha contato com a família. O filme conta ainda com uma pequena participação de Letícia Sabatella (que é esposa do ator Fernando Alves Pinto) interpretando uma namorada de Mariano, que descobre o esconderijo do menino.



Como não gostar e se envolver com um filme sobre um filho que deseja simplesmente conhecer o pai, mas tem grandes dificuldades. Algumas cenas são marcantes, como quando enfim Mariano consegue estabelecer um diálogo com Mani e o mesmo se derrete em lágrimas ao ser presenteado com um capacete para sua namorada e ter resgatada memórias dos tempos de pescaria com o padrasto. Me identifiquei muito com Mani, pois experimentei em minha vida algo similar em relação ao meu pai, que desapareceu quando eu tinha seis anos e reapareceu quando eu já era adolescente. 


A cena em que Mariano conta a verdade do incidente envolvendo a mãe de Mani, com Pedro ouvindo tudo escondido embaixo do banco do carro é contundentemente forte, pois o diretor nos priva de ouvir o que é dito, mas sabemos o que está acontecendo dentro do carro. Mani entra numa catarse e chega a agredir e ferir o padrasto ao extrapolar sua ira. Mariano compreende a revolta do menino com uma ternura de pai e volta para casa com suas feridas, para só então ser tratado por um Pedro que resolve deixar o anonimato e oferece o amor de filho, que é muito mais do que um simples curativo no pai, um homem que chora.


Confira o trailer de Pedro Sob a Cama:



Curta Cocó e Memórias do Subsolo ou o Homem Que Cavou Até Encontrar Uma Redoma

Neste 9 de agosto, após 1h de ônibus lotados pelas ruas de Fortaleza, cheguei à Praça do Ferreira para mais uma noite de Cine Ceará. Após um churrasco com o amigo cinéfilo, professor de Letras e crítico de cinema Ailton Monteiro, adentramos o Cineteatro São Luiz para acompanhar as exibições da noite.



Primeiro vimos o curta Cocó, de Yuri Melo, onde um garoto acostumado com o cotidiano da capital procura razões para entender sua empatia pelo Parque do Cocó. 


Em seguida, foi exibido o curta Memórias do Subsolo ou o Homem Que Cavou Até Encontrar Uma Redoma (Documentário. 11 min. Brasil. 2017. Livre) de Felipe Camilo que propõe uma travessia subterrânea entre 1984 e 2016.



Certamente inspirado na obra Memórias do Subsolo, de Fiódor Dostoiévski, vemos algumas fotos terem os rostos apagados. O filme apresenta uma áspera crítica aos valores familiares, com o realizador confrontando sua família, apagando o rosto de seus familiares, amigos e figuras públicas em fotos pessoais e de revistas. Como o diretor mesmo apresentou, é uma auto-ficção, uma espécie de vídeo-carta, surgida para resistir a uns baques afetivos.


Realizado a partir de um ateliê de imagem na Vila das Artes, a quem atribuiu ser uma referência para a formação em audiovisual no Ceará. Veja teaser de Memórias do Subsolo ou o Homem Que Cavou Até Encontrar Uma Redoma:

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Filme da Minha Vida


Drama nacional O Filme da Minha Vida (Brasil, 2016) de Selton Mello baseado no livro Um Pai de Cinema, de Antonio Skármeta (mesmo autor do clássico O Carteiro e o Poeta, e que também faz uma ponta no filme numa cena num bordel) tem virtudes ao narrar uma bela história, demonstrando que assim como num filme, não devemos simplesmente dar importância ao início ou o fim, mas também ao meio, pois o mais importante da vida é a jornada.
Após concluir os estudos e se tornar professor de francês, o jovem Tony (Johnny Massaro) decide retornar a Remanso, na Serra Gaúcha, sua cidade natal, de onde guarda boas recordações de sua infância. Filho de um imigrante francês Nicolas Terranova (Vincent Cassel) e da brasileira Sofia (Clais), ele descobre ao retornar que seu pai voltou para França alegando sentir falta dos amigos e do país de origem. Tony se vê então em meio aos conflitos e inexperiências juvenis sem o apoio da figura paterna. O que dizer da sub trama do aluno de Tony que está doido para perder a virgindade?


O filme trata então da dificuldade natural que é amadurecer, especialmente com a ausência de algo ou alguém, no caso o pai. Apesar do excessivo uso de cigarros, talvez pela época em que o filme se passa (está em cartaz no cinema local, o filme Rio Vermelho de 1948), a produção é admirável, com uma bela fotografia dourada (sépia?) de Walter Carvalho. É perceptível os ajustes que foram realizados no desenho de som, que às vezes fica mais alto, e às vezes fica caricato de tão notório. Ressalta-se que as canções da trilha sonora são nostálgicas, especialmente pra quem viveu o período. 




Outro grande mérito do filme, é o fato dele exalar vida, apesar das dificuldades que certamente encontramos ao longo da caminhada. Viver não é algo doloroso, pelo contrário é extremamente prazeroso. Quanto a questão da ausência, o fato dela se fazer presente o tempo todo, torna a figura paterna presente, seja no amigo de seu pai, Paco (Selton Mello), no relacionamento do jovem com Luna (Bruna Linzmeyer) ou em como Tony leva a vida, guiado sobre os ensinamentos deixados pelo pai. O filme reserva um segredo, que pode ser descoberto com as pistas que são entregues ao longo da projeção.



O elenco apresenta uma ótima revelação com o protagonista Johnny Massaro. O pai do rapaz é vivido pelo sempre bom Vincent Cassel. Já o roteiro de Selton Mello e Marcelo Vindicato é sentimental, esbanjando coração em relação a adaptação da obra literária. O problema é que vemos três Seltons no filme, o apaixonado pelo cinema roteirista, o espetacular ator e o diretor ainda em desenvolvimento. Sua forma de ver o cinema é algo que o faz ser admirado pelos cinéfilos. Algumas cenas são líricas, outras emocionam numa apresentação de balé, ou num olhar brilhante admirando a sétima arte que é reverenciada neste filme. A cena de Jhonny saindo do cinema, onde para os "porcos" estaria desperdiçando duas horas de sua vida é de encher os olhos, embora o colírio do filme seja a beleza estonteante de Petra (Bia Arantes) em todas as suas aparições com um olhar fulminante.



Não é o melhor filme nacional de todos os tempos, mas uma grata surpresa... Encerro minha análise com uma frase sutil dita no filme: "cinema é um troço escuro que você fica lá dentro vendo a vida dos outros em vez de cuidar da sua e perde duas horas da vida". Perco muitas horas da minha vida, literalmente vivendo dentro de uma sala escura...

Assista ao trailer de O Filme da Minha Vida:

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