segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Cara-de-Barro


 

Filme de um dos vilões mais cultuados da galeria de criminosos de Gotham city Cara-de-Barro [Clayface, Estados Unidos], de James Watkins surpreende com uma boa história de um ator desfigurado se transforma em uma entidade mutante cujo corpo é feito inteiramente de argila.



Nascido nas ruas de Gotham City, Matt Hagen (Tom Rhys Harries) é um ator em ascensão e um grande galã, mas sua trajetória meteórica e é brutalmente destruída quando uma desavença com um chefe do crime local termina deixando seu rosto irreconhecível e com uma desconfiguração brutal. 


Em busca de uma solução, abandonado por empresários e sem nada a perder, ele se submete a um tratamento estético radical e clandestino. Milagrosamente, a substância restaura sua antiga aparência física. No entanto, o procedimento traz efeitos colaterais devastadores que alteram sua estrutura celular e comprometem sua sanidade, transformando-o em um monstro feito de argila viva, capaz de alterar sua forma. 


Agora conhecido como Cara-de-Barro, o ex-astro retorna às ruas de Gotham com uma sede de vingança contra todos que o destruíram. É um filme ousado e corajoso sendo um acerto da DC studios, num ano em que a Marvel vem com força.



O longa, flerta com o body horror em diversas tomadas, tendo sua censura em 18 anos, mas incorpora também nuances de comédia e se ancora muito mais nas convenções do suspense do que propriamente na.violência gráfica, e apresenta sequências carregadas de gore que exploram tanto a deterioração física quanto a desintegração psicológica de seu protagonista.





Segue trailer:


domingo, 1 de novembro de 2026

Feito Pipa

 

Drama nacional Feito Pipa [Brasil], de Allan Deberton, representante do Brasil no Oscar 2027 é um emotivo longa sobre afetos entre gerações. Aborda temas difíceis como homossexualidade, bullying e Alzheimer de maneira pueril.


Na trama conhecemos Gugu (Yuri Gomes), um menino queer de 11 anos, que sonha em se tornar jogador de futebol, vive com sua avó Dilma (Teca Pereira) uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa, sem se preocupar com os julgamentos dos moradores da cidade, numa região  próxima da barragem de Araújo Lima. 


Após anos de seca, as águas recuam e revelam as ruínas de antiga cidade, o que desperta em Dilma os primeiros sinais de Alzheimer. Com medo de ser forçado a morar com o pai homofóbico Batista (Lázaro Ramos), o menino tenta esconder a doença da avó.


A relação do garoto com o pai  é difícil, feita de ausências, expectativas e afetos não ditos. O filme não torna o pai o vilão, mas deixa explícito a complexidade que existe diante do tema tão delicado. Eu diria que é uma relação natural, que fica explicitada nas cenas de Gugu aprendendo a andar de moto. Avó e neto moram sozinhos, após anos de seca, a barragem começa a revelar as ruínas de uma antiga cidade submersa, trazendo à tona lembranças que mudaram a vida da família. Entre as memórias e o esquecimento, o futuro incerto tanto de Gugu quanto de Dilma paira entre os dois.



Allan Deberton já havia mostrado uma história sensível no interior do Ceará no emotivo Pacarrete, vencedor do Festival de Gramado 2019. E agora vem com outra cativante história. Após nos apegarmos aos protagonistas juntos, é triste ter que ver eles se separando pelas circunstâncias da vida.



Uma cena específica é a minha preferida do longa, quando após uma briga na escola, as crianças vão falar com a diretora. De bolar de rir! Aliás o elenco está ótimo, especialmente o infantil. Tudo no filme é bastante dramático, com alto teor cômico, absolutamente real e completamente lúdico. Quero ele entre os finalistas do Oscar 2027, mas acredito que será pouco provável.

Veja trailer:


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