quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Era uma vez um tornozelo...



No último domingo, torci meu tornozelo. Comecei a tratar com gelo, mas ele ficou à cada dia mais inchado, então fui ao médico e descobri que a lesão é mais grave do que pensei.

Resumindo: ligamentos rompidos, luxação anterior da fíbula e derrame articular. Fui receitado com Nisulid D e continuo tratando com gelo. Farei sessões de fisioterapia e espero me recuperar o mais rápido possível, pois tenho treinos e corridas agendados...

O que é a entorse do tornozelo ?
A entorse do tornozelo é a lesão ligamentar mais comum em esportistas. Também pode ocorrer durante a atividade de andar, correr ou saltar. Representa 25 % de todas as queixas ortopédicas, ocorrendo uma lesão por dia para cada 10.000 pessoas, isto é, 18.000 entorses por dia ou 750 entorses por hora no Brasil.
O movimento forçado do tornozelo e do pé para dentro, em direção à linha média do corpo, ultrapassando o limite de resistência dos ligamentos, resulta em danos a estas estruturas. Cerca de 90% das lesões ocorrem desta maneira, pela inversão forçada do tornozelo.
                     
A lesão mais comum é a ruptura parcial ou total dos ligamentos e da cápsula articular lateral do tornozelo, o chamado complexo ligamentar lateral.
A estrutura mais frágil e mais freqüentemente lesada é o ligamento talofibular anterior (LTFA).
 
Quais os ligamentos e estruturas estão envolvidos na entorse do tornozelo ?
O tornozelo é uma estrutura que deve ser estável e ao mesmo tempo flexível para permitir que os movimentos do pé sejam precisos e tenham força suficiente para impulsionar o corpo e absorver os impactos contra o solo.
A sua configuração óssea lembra uma pinça, onde o tálus encaixa-se entre a fíbula e a tíbia e é envolto por uma cápsula espessa e dois complexos ligamentares, um lateral e outro medial.
Existem três ligamentos que formam o complexo ligamentar lateral do tornozelo. O ligamento talofibular anterior, o calcâneofibular e o talofibular posterior. Os mais importantes e envolvidos na entorse são os ligamentos talofibular anterior (LTFA) e ligamento calcâneofibular (LCF). Raramente ocorre ruptura do ligamento talofibular posterior (LTFP).
O complexo ligamentar medial é formado pelo ligamento deltóide, que possui duas camadas, uma superficial e uma profunda.
Outras estruturas estão presentes e fazem parte da estabilização do tornozelo, mas são mais raramente acometidas. São elas: os ligamentos tibiofibular anterior e posterior, o retináculo inferior, o ligamento cervical e o ligamento talocalcaneano.
 
O que pode ser lesado em uma entorse do tornozelo ?
O mesmo mecanismo de torção e as forças envolvidas em uma entorse podem produzir uma fratura do tornozelo ou lesões da cartilagem de revestimento da articulação.
O hematoma (sangramento) e edema (inchaço) são comuns depois de qualquer entorse.
Quando ocorre sangramento dentro da articulação (derrame articular), isto pode levar à inflamação crônica dos tecidos moles do tornozelo e é conhecida como sinovite.
Além disso, a lesão da parede interna da cápsula articular pode formar uma cicatriz que permanece no interior da articulação do tornozelo e pode interpor-se entre os ossos, causando dor e sensação de instabilidade.
Mais raramente, uma lesão dos tendões fibulares pode ocasionar o deslocamento de sua posição normal atrás da fíbula, uma condição conhecida como subluxação dos tendões fibulares.
Lesões nervosas não são comuns, mas pode-se observar certo formigamento e perda da sensibilidade na porção lateral do pé (parestesia) por estiramento do nervo fibular superficial. Essa perda da sensibilidade é rara e normalmente é transitória.
 
Quais sintomas após uma entorse de tornozelo ?
Os sintomas iniciais são: dor, inchaço e hematoma, que podem afetar os dois lados da articulação, dependendo das estruturas acometidas.
A dor intensa ao toque e a impossibilidade de firmar o pé no chão ou de apoiar o peso depois de uma entorse, requer uma avaliação médica imediata e exames de raio X.
Cerca de 80 % das lesões evoluem com resultados satisfatórios após tratamento conservador, porém, 20 % dos pacientes referem dor residual e lesões associadas que impossibilitam suas atividades normais diárias.
Esses sintomas residuais e a dor crônica após a lesão ligamentar do tornozelo representam grandes dificuldades e um desafio para qualquer ortopedista.
 
Como é feito o diagnóstico de uma entorse de tornozelo ?
O diagnóstico baseia-se no relato da história do paciente, no exame físico, nos sinais e sintomas encontrados e pelo estudo radiológico do pé e tornozelo.
No exame físico, a palpação é importante para localizarmos pontos dolorosos e avaliar a extensão das lesões. Existem testes que podem auxiliar na classificação, indicar a presença de instabilidade ligamentar e de lesões associadas.
Também é importante excluir possíveis fraturas com o exame de raio X, principalmente se há dor intensa e impossibilidade de apoiar o pé no solo.
 
Como são classificadas as entorses do tornozelo ?
Considerando as lesões ligamentares do complexo lateral, podemos classificá-las em três graus.
Grau 1 (Lesão leve) – Estiramento e ruptura de algumas fibras internas dos ligamentos
Dor e inchaço discreto. Tornozelo estável mecanicamente
Grau 2 (Lesão Moderada) – Ruptura parcial dos ligamentos
Dor, hematoma e inchaço. Tornozelo com certa instabilidade anterior
Grau 3 (Lesão Grave) – Ruptura completa dos ligamentos
Dor intensa, hematoma e grande inchaço. Tornozelo instável e com incapacidade funcional
 
Como é o tratamento para a entorse do tornozelo ?
A metodologia de tratamento das entorses ainda é um assunto bastante discutido e não totalmente estabelecido.
Uma abordagem prática é o tratamento das lesões ligamentares laterais baseado na classificação utilizando-se a reabilitação funcional:

Entorses Grau 1:
Pode-se utilizar tala gessada, bota imobilizadora ou imobilizador tipo “air-cast” por 1 ou 2 semanas. Lesões leves podem ser tratadas funcionalmente com imobilização elástica. Indica-se repouso, uso de gelo, antiinflamatórios e elevação do membro para aliviar os sintomas. A fisioterapia acelera areabilitação a partir da 2ª ou 3ª semana após a lesão.
Entorses Grau 2:
Tratamento semelhante ao grau 1 com prolongamento do tempo de imobilização por até 3 semanas. O período de cicatrização, de recuperação e de reabilitação é mais prolongado. A fisioterapia tem papel importante para o completo resultado funcional.
Entorses Grau 3:
O tempo de imobilização pode chegar até 4 semanas. O período de cicatrização, de recuperação e reabilitação é longo. Existe maior possibilidade de ocorrer lesões associadas e complicações com sintomas residuais tardios.
O tratamento cirúrgico é reservado para casos selecionados em atletas e lesões com grande instabilidade e abertura da pinça articular.
 
Como é a reabilitação funcional após entorse de tornozelo ?
A reabilitação funcional é um programa supervisionado com três fases básicas de tratamento.
1ª Fase – Repouso, elevação do tornozelo, gelo, antiinflamatório e imobilização, se possível tipo “air-cast” ou bota imobilizadora. Esta fase dura até a melhora da dor e do inchaço, geralmente 1 ou 2 semanas.
                     
2ª Fase – Fisioterapia motora supervisionada para melhorar o movimento do tornozelo, aumentar a força e a estabilidade dos músculos. Nesta fase inicia-se o apoio e o treino de marcha. Métodos analgésicos podem ser usados concomitantemente.
                  
3ª Fase – Intensifica-se o treino de força e de propriocepção. Se o paciente sentir-se seguro e confiante é realizada a reintrodução das atividades laborais e desportivas.
                
 
O que é esperado após a entorse de tornozelo ?
Em seis semanas após entorse de tornozelo deve-se esperar 90% de bons resultados e o retorno a um bom nível de função. No entanto, é possível que existam alguns sintomas residuais de dor ou instabilidade da articulação do tornozelo.
Mesmo após seis meses há ainda uma chance de 20 a 30 % dos pacientes sofrerem com algum grau de desconforto ou leve instabilidade da articulação.
 
Como é a avaliação dos sintomas tardios ?
A avaliação dos sintomas residuais (dor, inchaço e instabilidade) após três meses de entorse do tornozelo, com tratamento e reabilitação adequados, é feita através da avaliação da queixa do paciente, do exame físico e da realização do exame de ressonância nuclear magnética.
Este exame auxilia no diagnóstico de defeitos da cartilagem articular (lesões osteocondrais), aderências e cicatrizes internas dolorosas e inflamadas como sendo a fonte dos sintomas tardios.
A sinovite, a lesão meniscóide e as lesões de cartilagem são as causas mais comuns de dor crônica após entorses de tornozelo.
A instabilidade crônica ocasiona entorses de repetição do tornozelo, em intervalos variados e de diferentes graus, ocorrendo mesmo em terrenos planos e não necessariamente associada à prática de esporte.
 
Como é feito o tratamento das lesões tardias ?
A instabilidade após o entorse (entorses de repetição) é uma queixa muito comum após o tratamento da lesão ligamentar.

Normalmente está associada à falta de reabilitação, como reforço muscular e melhora da propriocepção. A propriocepção é a capacidade de resposta muscular automática que auxilia no equilíbrio e na estabilidade da articulação. Ela ajuda a evitar ou conter o estiramento e a ruptura ligamentar do tornozelo durante o mecanismo de entorse. Por isso, deve ser trabalhada e estimulada após qualquer lesão ligamentar, pois há uma perda importante desse mecanismo de proteção.
A correção dos déficits de força, flexibilidade e propriocepção são suficientes, na maioria das vezes, para estabilizar e evitar as entorses de repetição.

O tratamento cirúrgico da instabilidade é indicado quando não houve melhora com a reabilitação motora. Pacientes jovens, atletas ou com grande atividade física diária podem se beneficiar com o reparo e o retencionamento dos ligamentos laterais.

A técnica mais comumente empregada é chamada de Bröstrom Modificada, onde os ligamentos lesionados são retencionados e reinseridos ao osso, juntamente com um reforço do retináculo (banda ligamentar que segura os tendões).

A sinovite crônica, a lesão meniscóide e as lesões de cartilagem – lesões condrais – sintomáticas podem ser tratadas atualmente através da realização da artroscopia do tornozelo, uma técnica minimamente invasiva que permite avaliar a articulação internamente e tratar as lesões utilizando câmera de vídeo e instrumentos específicos (ver “Artroscopia do Tornozelo”).

domingo, 4 de outubro de 2015

2ª Etapa do II Campeonato Orientistas da Lagoa do Jirau

Na manhã deste domingo, 4 de outubro de 2015, fui como Sahel, o Geovane, a Allana e o Edvanio para a 2ª Etapa do II Circuito de orientação da Lagoa do Jirau, na praia do Balbino, em Cascavel/CE.
Lá, nos juntamos com a galera do CODL e tivemos que lidar com uma prova que exigiu muita técnica e um esforço físico enorme. 
 Completei a prova em 1h50min. O maior tempo que já passei num campo de prova. Serviu de preparo para correr na Bravo em 2016, pois fiz o percurso carregando meu filho colo a maior parte do tempo. O amigo Áquila Alencar fez um registro comigo e o Sahel pouco antes da minha largada e ainda me flagrou concentrado na retirada do mapa.
Tive dificuldade em alguns pontos devido o cansaço físico, mas pude me orientar com precisão no mapa. Pela primeira vez consegui compreender as curvas de nível no percurso... Isso é uma vitória, pois sempre tive dificuldades com elas. Foi uma prova de superação para todos que participaram. Tive a infelicidade de me machucar ao tentar "pular" uma cerca, acabei me cortando e torcendo o pé, felizmente já estava no final do percurso e consegui cruzar a linha de chegada, onde tratei com gelo o tornozelo que felizmente não inchou tanto e colocando atadura no corte. Foi uma queda feia!!! Respeitarei mais as cercas daqui pra frente...
Agora é aguardar a terceira etapa e conquistar o troféu da dupla familiar, uma vez que ganhei a 1ª etapa e consegui completar a prova nesta segunda etapa. A amiga de clube Suzy e sua filhota não conseguiram cumprir todos os pontos desse percurso desafiador. No final, ainda desfrutei da deliciosa feijoada e dos dindins disponibilizados aos competidores.


sábado, 3 de outubro de 2015

A Possessão do Mal


Na tarde/noite deste sábado, 3 de outubro de 2015, vi com o Geovane o terror A Possessão do Mal (The Possession of Michael King, 2014) de David Jung usa e abusa de clichês do gênero e entrega uma obra arrastada que em nada acrescenta aos espectadores a não ser a convicção de jamais mexer com forças ocultas.

O cineasta Michael King (Shane Johnson) não acredita em religião, espiritismo ou fatos paranormais. Enfrentando a morte da esposa, ele decide fazer seu próximo filme ligado à busca da existência de forças sobrenaturais.  Ele não acredita em Deus e muito menos no Diabo, mas está decidido a entender melhor o mundo divino e sobrenatural recorrendo à cartomancia e à necromancia. Seu objetivo é registrar tudo para a realização de um documentário e provar se tudo o que não acredita é mesmo inexistente.
Quem procura, acha. Quem pede, recebe. E mexer com as forças sobrenaturais como fazem muitas crianças com um simples copo, ou um lápis, pode se mostrar ser uma atividade assustadora, pois o demônio e seus principados e potestades atuam o tempo todo sem serem convidados, imaginem sendo...

Apesar de ser curto, o filme aparenta ser demorado. Nada se justifica. Falta criatividade para levar o enredo, e coerência nos relacionamentos entre os personagens. Apenas a trilha sonora ajuda a criar situações de tensão, e causar sustos na plateia que vê uma sequencia de violência explícita desnecessária.



Veja o trailer:

A Travessia em IMAX 3D

Na tarde deste sábado, 3 de outubro de 2015, fui com o Geovane ao Shopping Iguatemi ver em IMAX 3D o filme A Travessia (The Walk, 2015) de Robert Zemeckis, se baseia em fatos reais que já foram mostrados no filme O Equilibrista (Man or Wire, 2008) de James Marsh, vencedor do Oscar de Melhor Documentário e inspirado no livro To Reach the Clouds, escrito por Philippe Petit.

O longa nos apresenta um fato que ocorreu no dia 7 de agosto de 1974, quando um jovem sonhador, Philippe Petit (Joseph Gordon-Levitt), e um grupo de recrutas improváveis que, juntos, alcançam o impossível: uma travessia ilegal sobre cabo no imenso vazio entre as torres do World Trade Center. Com pouco mais de coragem e ambição cega, Petit e sua desorganizada equipe superam obstáculos assustadores, traições, inúmeras situações arriscadas e todas as adversidades para vencer o sistema e executar seu plano maluco.
O roteiro do filme é bem simples. Petit o torna didático ao narrar sua história do alto da Torre da Liberdade, começando a contar seu sonho de infância, depois de uma visita ao circo e ter se apaixonado pelo equilibrismo. Ele começa seus treinos, é expulso de casa pelos pais, conhece uma artista (Charlotte Le Bon) numa praça onde eles dividem a atenção do público, se tornam namorados, em seguida ele conhece um fotógrafo (Clément Sibony) que rapidamente se transforma em seu melhor amigo, e ele busca os conselhos de outro equilibrista (Ben Kingsley).

Destaque para os efeitos tridimensionais que mostram os edifícios altíssimos da cidade de Nova York em 3D. A dublagem está comprometida devido as constantes falas em francês usadas ao longo do filme, quando surgem legendas. A melhor opção sem dúvida são as versões legendadas. E se possível em IMAX.

Segue trailer de  A Travessia:

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Perdido em Marte



Na noite desta quinta-feira, 1º de outubro de 2015, fui no UCI Cinemas com meu filho Pedro Sahel ver o filme do Buzz Lightyear e acabamos vendo um pirata plantando batata em Marte e o Homem de Ferro no espaço!

Baseado no livro homônimo de Andy Weir, Perdido em Marte (The Martian, 2015) de Ridley Scott é mais uma obra notável na filmografia do diretor. Lidando razoavelmente com a ciência, vemos de forma divertida o drama pessoal de um astronauta que literalmente foi plantar batata no espaço.
 

O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é uma das primeiras pessoas a caminhar em Marte. Entretanto, devido a complicações causadas por uma tempestade de poeira, Mark é deixado para trás por sua tripulação chefiada por Melissa Lewis (Jessica Chastain) e é dado como morto após ser atingido por uma antena numa feroz tempestade, que fez com que Mark acabasse sendo deixado para trás por sua tripulação. Com apenas poucos suprimentos, Mark conta com sua criatividade e inteligência, e embora as possibilidades e probabilidades estejam todas contra ele, Mark luta para sobreviver sem recursos e sozinho no planeta hostil.

Com suprimentos escassos, Watney passa a contar com a sua criatividade, engenho e espírito para subsistir e encontrar uma maneira de sinalizar à Terra que está vivo. A milhões de quilômetros de distância, a NASA e uma equipe de cientistas internacionais que trabalham incansavelmente para trazer o astronauta de volta enquanto seus colegas de tripulação simultaneamente traçam uma ousada missão de resgate. Conforme essas histórias de incrível bravura se desdobram, o mundo se une para torcer pelo retorno seguro de Watney.

As cenas onde Mark dialoga com a plateia (com as câmeras da nave) numa espécie de registro diário de sobrevivência, são cativantes, engraçadas e nos fazem nos importarmos com o ser humano lidando com bom humor numa situação desesperadora. No entanto, o filme não foca apenas nas cenas em Marte, pois são mostradas as decisões da alta direção da NASA na Terra e a tripulação que volta para resgatar o parceiro deixado para trás.

Perdido Em Marte conta com um elenco primoroso, repleto de estrelas que inclui além de Matt Damon, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Kate Mara, Michael Pena, Jeff Daniels, Chiwetel Ejiofor e Donald Glover. O trabalho de fotografia também nos oferecem belas imagens do planeta vermelho e o 3D, apesar dos pesares, é bem utilizado nessas cenas de contemplação. Vale o ingresso. Vimos sessão dublada e até que não estava ruim a dublagem...


Confira trailer dublado:


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