terça-feira, 8 de agosto de 2017

O Filme da Minha Vida


Drama nacional O Filme da Minha Vida (Brasil, 2016) de Selton Mello baseado no livro Um Pai de Cinema, de Antonio Skármeta (mesmo autor do clássico O Carteiro e o Poeta, e que também faz uma ponta no filme numa cena num bordel) tem virtudes ao narrar uma bela história, demonstrando que assim como num filme, não devemos simplesmente dar importância ao início ou o fim, mas também ao meio, pois o mais importante da vida é a jornada.
Após concluir os estudos e se tornar professor de francês, o jovem Tony (Johnny Massaro) decide retornar a Remanso, na Serra Gaúcha, sua cidade natal, de onde guarda boas recordações de sua infância. Filho de um imigrante francês Nicolas Terranova (Vincent Cassel) e da brasileira Sofia (Clais), ele descobre ao retornar que seu pai voltou para França alegando sentir falta dos amigos e do país de origem. Tony se vê então em meio aos conflitos e inexperiências juvenis sem o apoio da figura paterna. O que dizer da sub trama do aluno de Tony que está doido para perder a virgindade?


O filme trata então da dificuldade natural que é amadurecer, especialmente com a ausência de algo ou alguém, no caso o pai. Apesar do excessivo uso de cigarros, talvez pela época em que o filme se passa (está em cartaz no cinema local, o filme Rio Vermelho de 1948), a produção é admirável, com uma bela fotografia dourada (sépia?) de Walter Carvalho. É perceptível os ajustes que foram realizados no desenho de som, que às vezes fica mais alto, e às vezes fica caricato de tão notório. Ressalta-se que as canções da trilha sonora são nostálgicas, especialmente pra quem viveu o período. 




Outro grande mérito do filme, é o fato dele exalar vida, apesar das dificuldades que certamente encontramos ao longo da caminhada. Viver não é algo doloroso, pelo contrário é extremamente prazeroso. Quanto a questão da ausência, o fato dela se fazer presente o tempo todo, torna a figura paterna presente, seja no amigo de seu pai, Paco (Selton Mello), no relacionamento do jovem com Luna (Bruna Linzmeyer) ou em como Tony leva a vida, guiado sobre os ensinamentos deixados pelo pai. O filme reserva um segredo, que pode ser descoberto com as pistas que são entregues ao longo da projeção.



O elenco apresenta uma ótima revelação com o protagonista Johnny Massaro. O pai do rapaz é vivido pelo sempre bom Vincent Cassel. Já o roteiro de Selton Mello e Marcelo Vindicato é sentimental, esbanjando coração em relação a adaptação da obra literária. O problema é que vemos três Seltons no filme, o apaixonado pelo cinema roteirista, o espetacular ator e o diretor ainda em desenvolvimento. Sua forma de ver o cinema é algo que o faz ser admirado pelos cinéfilos. Algumas cenas são líricas, outras emocionam numa apresentação de balé, ou num olhar brilhante admirando a sétima arte que é reverenciada neste filme. A cena de Jhonny saindo do cinema, onde para os "porcos" estaria desperdiçando duas horas de sua vida é de encher os olhos, embora o colírio do filme seja a beleza estonteante de Petra (Bia Arantes) em todas as suas aparições com um olhar fulminante.



Não é o melhor filme nacional de todos os tempos, mas uma grata surpresa... Encerro minha análise com uma frase sutil dita no filme: "cinema é um troço escuro que você fica lá dentro vendo a vida dos outros em vez de cuidar da sua e perde duas horas da vida". Perco muitas horas da minha vida, literalmente vivendo dentro de uma sala escura...

Assista ao trailer de O Filme da Minha Vida:

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Tal Mãe, Tal Filha


Comédia Tal Mãe, Tal Filha (Telle Mère, Telle Fille, França, 2017), de Noémie Saglio nos apresenta uma situação inusitada de inversão de posições, onde uma mãe à beira dos 50 se comporta como uma adolescente e após o divórcio, foi morar com a filha! Não bastasse isso, as duas engravidam ao mesmo tempo...

O filme nos apresenta a Avril (Camille Cottin), uma mulher de 30 anos, bem-sucedida com sua vida e carreira, que é completamente o oposto de sua mãe, Mado (Juliette Binoche), que é super dependente e mora com a filha desde que se divorciou. A relação das duas, que nunca foi das melhores, fica ainda mais complicada quando, por um azar do destino, mãe e filha ficam grávidas ao mesmo tempo.  


É engraçado ver uma mãe jovial que masca chiclete, veste roupas de couro e empurra novas compras no carrinho de supermercado da filha — turrona, pouco vaidosa, que cobra mais responsabilidade da própria genitora.

Inseparáveis, Avril e sua mãe, Mado, não podem ser mais diferentes uma da outra. Avril, 30 anos, é casada, tem um bom emprego fixo e é organizada, ao contrário de sua mãe, eterna adolescente irresponsável e petulante, que vive à custa de sua filha desde o seu divórcio. Mas quando as duas mulheres se veem grávidas ao mesmo tempo e sob o mesmo teto, o choque é inevitável. Porque, Mado, está em plena crise de juventude e não está pronta para ser avó e Avril, por sua vez, tem grande dificuldade de imaginar sua mãe... mãe!

A diretora Noémie Saglio afirmou que os produtores estavam à procura de uma história sobre mulheres, que tanto fizesse rir quanto emocionar. Quando leram o testemunho de uma jovem mãe, concluíram que era o ponto de partida ideal para um filme e começamos a trabalhar. Ao pesquisar, perceberam que esses casos de mães e meninas grávidas ao mesmo tempo eram bastante comuns, especialmente na Grã-Bretanha, em círculos populares. 

Apesar dos esforços de Juliette Binoche, a comédia é ensossa e desperdiça uma premissa interessante, não sendo engraçada, tampouco emocionante, sendo banal em seu propósito. Além disso, o filme aborda a questão do aborto com excessiva naturalidade, como se matar um feto fosse algo simples e comum. Este filme participou do Festival Varilux de Cinema Francês 2017, sendo inclusive capa do poster oficial.

Veja o trailer de Tal Mãe, Tal Filha:


domingo, 6 de agosto de 2017

Curso Mapeador com GPS


Nos dias 5 e 6 de agosto de 2017, aconteceu a 2ª etapa do Curso Mapeador Nível 1, chancelado pela Confederação Brasileira de Orientação (CBO), dessa vez com a utilização de GPS e dos conhecimentos obtidos no Curso Produção de Mapa de Orientação com OCAD, que participei recentemente.



No primeiro dia, aprendemos a realizar ajustes no GPS para mapeamento; locação de pontos diretamente no GPS; digitalização de trilhas diretamente no GPS; importação de dados diretamente do programa OCAD e digitalização dos trabalhos no programa OCAD


No segundo dia, aprendemos mais sobre o uso do GPS, inclusive locação de pontos e objetos na prancheta, com prática livre: mapeamento de uma área aberta, desenhando todos os objetos e vegetações, demonstrando o modelado do terreno; digitalização dos trabalhos no programa OCAD; uso de imagens de satélite (trabalho com foto aérea) e um pouco de teoria das curvas de nível e impressão dos mapas. Por fim, houve o momento da entrega dos certificados, que rendeu inclusive fotos boomerang.


sábado, 5 de agosto de 2017

Uma Mulher Fantástica


Drama Uma Mulher Fantástica (Una Mujer Fantástica, Chile,  2017) de Sebastián Lelio exibido na abertura do 27º Cine Ceará, tem fortes chances de ganhar a Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem ao apresentar uma visão bem humana acerca do tema igualdade de gêneros, em torno de uma personagem que demonstra força, especialmente na interpretação da atriz transexual Daniela Vega.



O longa inicia apresentando a história de amor entre a transexual Marina (Daniela Vega) e o executivo Orlando (Francisco Reyes). Marina, uma garçonete transexual que brilha na noite como cantora, passando boa parte dos seus dias buscando seu sustento. Seu verdadeiro sonho é ser uma cantora de sucesso e, para isso, canta durante a noite em diversos clubes de sua cidade. No entanto, ela tem a vida abalada com um acontecimento trágico que resulta na inesperada morte de seu namorado e maior companheiro, cerca de 20 anos mais velho, dando uma guinada na sua vida. 


O filme propõe um olhar sincero, delicado e aprofundado sobre os preconceitos existentes ao redor não apenas deste relacionamento, mas da própria existência de Marina como pessoa. São vários os constrangimentos enfrentados pela personagem ao longo do belo roteiro que jamais soa oportunista, ou gratuito. Não à toa foi premiado em Berlim e agradou inclusive o juri ecumênico.





O texto do filme expõe diálogos e situações reveladoras diante de uma sociedade extremamente preconceituosa. Não concordo com o comportamento de um transexual, tampouco com a ditadura LGBT que tem tentado se estabelecer, mas uma falha de comportamento não merece um tratamento diferenciado a ponto de negar que se trata de um ser humano, de carne e osso e com sentimentos, como Mariana mesmo afirma em determinado momento. Fica evidente no filme, inclusive o que levou a personagem a ter tal comportamento: a ausência da figura paterna, representada muito bem pelo professor de canto lírico, que verdadeiramente ama sua aluna e admira seu talento. A cena em que Marina abraça o professor, é uma das mais marcantes do filme. 



Apresentando a rotina de Marina após o trágico acontecimento, vemos a forma como o médico que atendeu seu namorado a trata, o policial que pede sua identidade, a inspetora que invade sua privacidade, o filho de seu namorado que a agride tanto física quanto psicologicamente (onde há uma cena memorável de violência contra transgêneros). São poucos os que respeitam Mariana, o maior destaque seria Gabo (Luis Gnecco) irmão de Orlando. O maior mérito do filme é apresentar a história de um ser humano, deixando de lado a bandeira transgênero. Vemos mais que uma mera observação, mas uma forte denúncia do tratamento desumano recebido pelos trans. As nuances do longa, como o armário vazio, que denota o momento vivido por Marina são literalmente fantásticos.





Após a morte de Orlando, sua família (esposa e filho) que não reconhece Marina como namorada legítima, pedem de volta o carro e o apartamento para a garçonete, que não consegue ficar nem mesmo com a cachorra do casal, Diabla, que era cuidada pelo casal. Ao longo do filme, vemos uma Mariana resiliente, e muito contida em suas reações ao ataques físicos e psicológicos ao qual a mesma é submetida. Segundo Soledad, montadora do filme, o longa se adequou à intérprete, e não o contrário. 


Entretanto, mais do que simplesmente propor o assunto em voga, o filme se destaca pela forma como a protagonista foi construída, fugindo dos estereótipos, e com uma dignidade inédita no cinema. A fotografia do filme é muito boa. Percebe-se inclusive a constante utilização de espelhos, para deixar implícito a diferença de como as pessoas vêem Marina. Mas o filme é todo de Daniela Vega, a transexual que faz o papel de Marina, e que não era atriz, mas sim cantora lírica (as cenas dela cantando são reais!). Acredito que ela deva receber o prêmio de melhor atriz do juri do festival, estabelecendo a quebra de mais uma barreira de preconceito, e quem sabe, apesar das limitações técnicas de Vega como atriz (ela ainda é iniciante, estando apenas em seu segundo filme), porque não premiar uma eventual candidata à indicação ao Oscar 2018. 


Um certo tom fantástico também está incluso no filme, isto fica evidente na bela cena inicial onde letreiros e imagens coloridas surgem e na cena em que Mariana enfrenta uma rajada de um forte vento impetuoso. Exibido em primeira mão no Festival de Berlim deste ano, filme foi vencedor do Urso de Prata de roteiro e ganhou o Prêmio Teddy no Festival de Berlim (filmes sobre temática LGBT) e o prêmio do júri ecumênico.

Confira o trailer de Uma Mulher Fantástica:


A Luz Da Mata


Curta-metragem animado A Luz Da Mata (Projeto Enel Compartilha Animação. 2017. Animação. 4 min), fruto de um trabalho realizado pelos alunos do projeto Enel Compartilha Animação, em oficina conduzida pelo cineasta Telmo Carvalho apresenta uma mensagem simples, acerca do consumo desenfreado de energia elétrica e suas consequências. Foi o primeiro filme exibido no 27º Cine Ceará, na abertura do Festival Ibero Americano de Cinema.


O Enel Compartilha Animação, antigo Cine Coelce, integra os projetos de sustentabilidade desenvolvidos pela Enel e é realizado pela Associação Cultural Cine Ceará em parceria com a Casa Amarela Eusélio Oliveira, da Universidade Federal do Ceará, viabilizado pelo Mecenato Estadual do Ceará e conta com o apoio do Governo do Estado do Ceará através da Secretaria da Cultura (Secult).

Desde sua criação o projeto já beneficiou mais de 2 mil crianças de escolas públicas de Fortaleza e outras cidades do interior do estado, realizando oficinas de cinema de animação com foco no meio ambiente e na importância de se preservar os recursos naturais. 

Abertura do 27º Cine Ceará


Na noite deste 5 de agosto de 2017, estive na abertura do 27º Cine Ceará - Festival Ibero-americano de Cinema. A programação marcada para 19h, teve início depois das 20h, após os convidados adentrarem e lotarem o Cine São Luiz para de início assistirem cerca de 15 minutos de apresentação de vídeos dos patrocinadores. Cada ano fica mais longo o tempo dedicado aos vídeos dos patrocinadores.


A exibição do curta A Luz da Mata, e do longa Uma Mulher Fantástica de Sebastián Lelio e homenagem marcaram a solenidade, comandada pelas belíssimas jornalistas Grazi Costa e Maísa Vasconcelos. O secretário da Cultura do Estado, Fabiano dos Santos Piúba, e o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Henry de Holanda Campos,  ambos deram as boas-vindas ao público e aos cineastas presentes, ressaltando a representatividade no campo do cinema e importância do festival para o Estado. O primeiro destacou a programação do Cine São Luiz e como o público tem se aproximado do equipamento, citando inclusive o fato do banner principal do evento, trazer uma homenagem ao lustre principal do majestoso Cine São Luiz, o primeiro cinema inaugurado pelo grupo Severiano Ribeiro, ainda em funcionamento com seus pouco mais de mil lugares. O segundo encerrou seu discurso político com uma frase marcante sobre os tempos de escuridão que temos vivido: “Não podemos fazer nada para apagar o passado, mas tudo devemos fazer para construir o futuro. As trevas exigem de nós luta para sobreviver”. Houve um e outro grito de #ForaTemer, mas nada que se compare a manifestação do ano anterior.


A gerente de comunicação da Enel Ceará, Patrícia Varela, fez a entrega juntamente com o secretário Fabiano Piúba e o reitor Henry Campos. realizaram a entrega de certificados da oficina de cinema de animação, para os jovens estudantes que participaram do projeto Enel Compartilha Animação. Um deles ao subir palco comemorou e provocou reação de aplausos de todo o público, que conferiu a exibição do curta A Luz da Mata, por eles produzidos. Após a exibição Juan Pablo Silva afirmou “Eu fiquei muito feliz de ter sido selecionado para participar do filme. Realizar esse projeto foi incrível. Animação é o meu foco. É uma experiência que nunca vou esquecer”. Esse tem o perfil de cineasta. 


Patrocinado pela Oi e com o apoio cultural do Oi Futuro, o festival contou, na abertura, com a presença do gestor de cultura do Instituto Oi Futuro, Roberto Guimarães. Ele frisou a longevidade e solidez do festival. “Chegar à 27ª edição é um feito difícil para qualquer festival, afinal, 27 anos não são dois anos!”. Destacou também a Mostra Curta Cocó, lançada nesta edição pela Oi, em parceria com o festival, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Ceará e a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. Os cinco curtas selecionados serão exibidos no Cine Ceará, entre os dias 6 e 10, e no dia 11 o vencedor será exibido novamente na cerimônia de encerramento do festival, no Cineteatro São Luiz, quando receberá um prêmio no valor de R$ 3.000,00.

Apesar de ser uma noite de festa e boas notícias, houve também espaço para uma homenagem póstuma ao cineasta Geraldo Moraes, que faleceu aos 78 anos. O Mestre Geraldo, como era carinhosamente chamado, foi uma grande referência do audiovisual brasileiro, e precursor de muitas gerações de cineastas. Destaca-se o belo texto do cineasta cearense Rosemberg Cariry, lido na ocasião:

“Dizem as crenças antigas que todo homem é uma vela que deus pôs no mundo, tendo esse mesmo homem o livre-arbítrio para acender ou deixar apagada a sua luz. Geraldo Moraes foi um homem de luz própria, foi líder estudantil e lutou contra a ditadura militar, fez cinema nas épocas mais difíceis, foi professor de universidades e muito ensinou aos jovens, em cursos administrados em todo o pais, dos pampas gaúchos aos sertões nordestinos, dos pantanais do centro oeste às florestas da Amazônia. Gaúcho-brasiliense-nordestino, à frente de importantes entidades representativas de cineastas, Geraldo Moraes fez da descentralização da produção do cinema brasileiro uma das suas mais importantes bandeiras de luta, sendo um dos importantes articuladores da associação de produtores e cineastas do Norte-Nordeste e da CONNE, nova instituição que reúne produtores e cineastas do Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Nós, que fazemos o Cine Ceará, queremos dedicar essa edição do festival à memória do cineasta e do homem Geraldo Moraes. Salve amigo!”.


Por fim, a editora do longa Uma Mulher Fantástica apresentou o filme que foi exibido e recebeu os fortes aplausos da plateia. Falaremos sobre o curta e o longa noutros posts.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Ansioso pelo 27º Cine Ceará


Se aproxima um período que todo cinéfilo cearense anseia anualmente, o Cine Ceará. Neste ano, o evento conta com programação composta por filmes premiados, estreias nacionais e mundiais, além de debates, seminário, curso e outras atividades marcam a programação, que acontece em diversos espaços de Fortaleza, e o melhor, com acesso gratuito a toda população.


Com o objetivo de levar ao público cearense a produção audiovisual dos países cujas populações falam os idiomas português e espanhol, é realizado entre os dias 5 e 11 de agosto o 27° Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema. A programação do evento é composta por mostras de longas e curtas-metragens, além de debates, diálogos e atividades de formação. As exibições começaram no dia 1º de agosto, com a Mostra de Cinema Chileno, que se estenderá até o dia 6 na CAIXA Cultural Fortaleza. A programação do festival estará também no Cineteatro São Luiz, Cinema do Dragão, Hotel Oásis Atlântico, Instituto do Ceará e Porto Iracema das Artes. Lembrando que o acesso é gratuito.


Apresentado por BNDES e Enel, o 27° Cine Ceará acontece de 5 a 11 de agosto, numa promoção da Universidade Federal do Ceará (UFC), através da Casa Amarela Eusélio Oliveira, com apoio do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, da Prefeitura Municipal de Fortaleza, via Secultfor, e do Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual. A realização é da Associação Cultural Cine Ceará, Bucanero Filmes e OUTLED, conta com patrocínio vip da SP Combustíveis e M. Dias Branco, patrocínio da Oi e BNB. Apoio cultural: Oi Futuro, Indaiá e Unifor e parceria: Sebrae-CE.

AS MOSTRAS

Os filmes serão distribuídos nas seguintes mostras: Mostra de Cinema Chileno, Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem, Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem, Olhar do Ceará, mostras sociais Melhor Idade, Acessibilidade e O Primeiro Filme a Gente Nunca Esquece e Cinema na Praça. Haverá ainda Exibições Especiais.

MOSTRA DE CINEMA CHILENO - O Chile é o país homenageado no 27º Cine Ceará. Na Mostra de Cinema Chileno serão exibidos filmes de dois dos maiores nomes do cinema desse país: Alejandro Jodorowsky e Raúl Ruiz. A programação ainda conta com uma mostra do Panorama Chileno Contemporâneo onde, entre outros filmes, exibe o primeiro longa de Pablo Larraín, diretor chileno mais conhecido da atualidade: “Tony Manero” (2008). Sobre ele haverá a Master Class "O Cinema de Pablo Larraín", com Ernesto Garratt, jornalista e crítico de cinema chileno, especialista na obra deste cineasta. A mostra também destaca as obras das diretoras premiadas nos mais prestigiosos festivais internacionais: Maite Alberdi, Marcia Tambutti e Dominga Sotomayor. Outros nomes da atual cinematografia chilena presentes são Ignacio Agüero, Sebastián Lelio e Leopoldo Muñoz.



COMPETITIVA IBERO-AMERICANA DE LONGA-METRAGEM - Nesta edição, sete longas concorrem ao troféu Mucuripe nas categorias Melhor Filme, Direção, Fotografia, Edição, Roteiro, Som, Trilha Sonora Original, Direção de Arte, Ator e Atriz dos longas. Os membros do júri são: Ernesto Garratt Viñes (Chile), Isabel Martínez (Costa Rica), Luis Peirano (Peru), Maria Dora Mourão (Brasil) e Victor Luckert Barela (Venezuela). Dos sete longas, um terá première mundial, “Malasartes e o Duelo com a Morte”, longa brasileiro com o maior número de efeitos especiais do país, cuja exibição contará com a presença do diretor Paulo Morelli e do protagonista Jesuíta Barbosa. Os outros seis terão sua première no Brasil. São eles: O chileno “Uma Mulher Fantástica”, de Sebástian Lelio; o argentino “Ninguém está Olhando”, de Julia Solomonoff; a produção cubana-francesa “Santa e Andrés”, de Carlos Lechuga; o brasileiro “Pedro sob a Cama”, de Paulo Pons, com a presença do ator Fernando Alves Pinto; a coprodução República Dominicana/Porto Rico/Brasil “O homem que cuida”, de Alejandro Andújar; e a coprodução Cuba/Espanha “Últimos dias em Havana”, de Fernando Pérez.

COMPETITIVA BRASILEIRA DE CURTA-METRAGEM - Na Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem estão 14 produções, que concorrem ao troféu Mucuripe nas categorias de Melhor Curta-metragem, Direção, Roteiro e Produção Cearense. No júri da Competitiva de Curtas estão: Alessandra Bergamaschi (Brasil), André Parente (Brasil), Benito Amaro (Cuba), Osmar Gonçalves (Brasil) e Vera Zaverucha (Brasil). Os participantes: "Vênus – Filó a fadinha Lésbica", de Sávio Leite, exibido na mostra Panorama do Festival de Berlim, na Alemanha; "Mehr Licht!", de Mariana Kaufman; "Valentina", de Estevão Meneguzzo, exibidos no Festival de Edimburgo, na Escócia. Os cearenses "A Balada do Sr. Watson", de Firmino Holanda; "Caleidoscópio", de Natal Portela; "Do Que Se Faz De Conta", de Amanda Pontes e Michelline Helena; "Memórias do subsolo ou o homem que cavou até encontrar uma redoma", de Felipe Camilo, e "Vando Vulgo Vedita", de Andréia Pires e Leonardo Mouramateus. E mais, “Algo do que Fica”, de Benedito Ferreira; “Festejo Muito Pessoal”, de Carlos Adriano; “Fogo Selvagem”, de Diogo Hayashi; “Manual”, de Letícia Simões; “O Estacionamento”, de William Biagioli; e “Simbiose”, de Júlia Morim.

OLHAR DO CEARÁ - Criada em 1999 para ver e discutir o audiovisual cearense, a Mostra Olhar do Ceará contará este ano com 23 filmes de curta-metragem, que serão exibidos no Cinema do Dragão. A melhor obra eleita pelo júri receberá o Troféu Mucuripe. Participam da mostra: “Guiana Francesa”, Edmilson Filho e Olavo Junior; “Maria Auxiliadora”, de Natália Maia; “Iracema”, de Francisco Carneiro; “Rastros”, de Sabina Colares e Samarkandra Pimentel; “Ao mar”, de Esaú Pereira Barbosa; “Fôlego”, de Kamille Costa; “Jonas banhado em Sangue”, de Mateus Bandeira; “Lugar nenhum”, de Wesley Guerreiro; “Soturna”, de Léia Ávila; “O céu desaba”, de Mariana Gomes; “O vigia”, de Priscila Smiths e P. H. Diaz; “O dia do silêncio”, de Clébson Oscar; “Sítio Veiga”, de Carla Moreira; “Voar”, de Cesar Teixeira; “Close”, Rosane Gurgel; “Sintera”, de Fellipe Farias; “Superdance”, de Pedro Henrique; “Ossuário”, de Diogo Braga e Thales Luz; “Candeias”, de Reginaldo Farias e Ythallo Rodrigues; “Estudos de vertigem”, de Indira Brígido; “Projeto Raízes”, de Jamylle Cavalcante e Rafaela Batista; “Atalanta”, de Fernanda Brasileiro e Hylnara Vidal; e “A lenda cotidiana”, de Bárbara Moura e S. de Sousa.

MOSTRAS SOCIAIS - Em comemoração aos 100 anos da animação brasileira, o Cine Ceará reuniu na mostra O PRIMEIRO FILME A GENTE NUNCA ESQUECE alguns curtas cearenses produzidos para o público infantil utilizando diferentes técnicas animadas. Nesta mostra serão exibidos: “A luz da mata”, produzido pelos alunos do projeto Enel Compartilha Animação, sob a orientação de Telmo Carvalho; duas animações de Neil Rezende, “Astrobaldo: Vênus apaixonada” e “Astrobaldo: Calango e Mercúrio”; três produções de Levi Magalhães, “Blwarh, olha o bicho vindo”, “Vida” e “Blwarh, arte blwarroca”; e três filmes de Telmo Carvalho, “Eric Acorde”, “Um conto em cada ponto: o rio dos pássaros pintados” e “Um conto em cada ponto: João de Barro”. Para a MOSTRA MELHOR IDADE e ACESSIBILIDADE o festival escolheu, respectivamente, os longas “Uma loucura de mulher”, de Marcus Ligocki, e “Corisco & Dadá”, de Rosemberg Cariry.

EXIBIÇÕES ESPECIAIS - Também haverá Exibições Especiais. Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine) exibe no festival o longa “Corpo Elétrico”, de Marcelo Caetano, no dia 6, seguida de debate com o diretor. Também terá exibição especial o longa "O Caminho das Hortências", de Ronaldo Nunes, no dia 8, ambas no Cinema do Dragão.

CINEMA NA PRAÇA - E já é tradição no Cine Ceará as exibições em plena Praça do Ferreira, ao ar livre. É a mostra Cinema na Praça, que este ano projeta 18 curtas-metragens: “A casa das horas”, de Heraldo Cavalcanti; “Abissal”, de Arthur Leite; “Jus”, de Marcelo Dídimo; “Como chegamos aqui”, de Arthur S. Gadelha; “Negro lá, negro cá”, de Eduardo Cunha; “Dona Carmela”, de Iziane Filgueiras Mascarenhas; “Águas de Romanza”, de Patrícia Baía e Glaúcia Soares; “Canoa veloz”, de Joe Pimentel e Tibico Brasil; “Náusea”, de Raiane Ferreira; “Becco do Cotovelo”, de Pedro Cela e Eduardo Cunha; “Vida Maria”, de Márcio Ramos; “A galinha ou eu”, de Denízia Moresqui; “O Céu de Iracema”, de Iziane Filgueiras Mascarenhas; “Bem-Me-Quer”, de Levi Magalhães; “Retrato Pintado”, de Joe Pimentel; e três produções coletivas coordenadas por Telmo Carvalho: “A mais bela sonhadora”, “Oportunidade” e “O X da questão”.


CURTA COCÓ - Uma novidade do festival este ano é a mostra Curta Cocó. Na programação noturna entre os dias 06 e 10 de agosto, serão exibidos no Cineteatro São Luiz cinco curtas selecionados entre os inscritos nesta mostra, cujo objetivo é utilizar meios tecnológicos para produção de curtas-metragens através de aparelhos celulares, de curta duração, para assim estimular a criatividade mesclada com a tecnologia. Os filmes têm como cenário o quarto maior parque urbano da América Latina e do Brasil. Promovido pelo 27º Cine Ceará em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Ceará, a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará e a Oi, o Curta Cocó vai premiar o melhor filme desta mostra com R$ 3.000,00 (três mil reais) e o trabalho vencedor será exibido por ocasião do encerramento do festival, no dia 11, no Cineteatro São Luiz.

CURSO CINEMA E LITERATURA - Além das mostras de cinema, o festival oferece uma programação de formação. Dos dias 7 a 11 de agosto acontece, no Instituto do Ceará, o curso “Cinema e Literatura - Uma Via de Mão Dupla”, para quem se interessa em saber mais sobre a adaptação da obra literária para o cinema. A atividade será conduzida pelo jornalista e crítico de cinema José Geraldo Couto.

SEMINÁRIO DO CONNE - As políticas públicas voltadas para a descentralização da produção audiovisual serão discutidas, no “I Seminário Descentralização da Produção Audiovisual no Centro-Oeste, Norte e Nordeste – CONNE”, no Hotel Oásis Atlântico Fortaleza, nos dias 7 e 8 de agosto. O objetivo é construir estratégias para fortalecer e efetivar as políticas públicas voltadas à produção de séries de TV e longas-metragens, para que as produtoras localizadas nessas regiões saibam da obrigatoriedade desse percentual para desenvolver a indústria cinematográfica de lá.

DIÁLOGOS – CINE CEARÁ E PORTO IRACEMA - Durante o festival acontecerá também o programa Diálogos – Cine Ceará e Porto Iracema, uma parceria entre o Cine Ceará e a Escola Porto Iracema das Artes. O programa consiste numa série de bate-papos, abertos ao público, que terão como convidados especiais diretores de filmes selecionados para as Mostras Competitivas do festival. Esses Diálogos acontecerão no Porto Iracema, a partir das 14h. A cada dia um novo convidado conversará sobre um tema diferente envolvendo o cenário do cinema latino-americano contemporâneo. No dia 7, o tema é “Direção: O Olhar Argentino”, com Julia Solomonoff. No dia 10, “República Dominicana: O Novo Cinema do Caribe”, com Alejandro Andújar e Héctor A. Estrella. No dia 11, “Cinema Cubano Contemporâneo”, com Carlos Lechuga, Jorge Martínez e Patricio Wood. No dia 9, no mesmo horário, haverá os lançamentos dos livros “Bernardet 80: Impacto e influência no cinema brasileiro” (Organizadores: Ivonete Pinto e Orlando Margarido), com apresentação de Orlando Margarido, e “Desvendando a Ancine”, de Vera Zaverucha, com a presença da autora.

HOMENAGEADO - Este ano o homenageado do Cine Ceará é Walter Carvalho, um dos principais fotógrafos e diretores da cinematografia brasileira contemporânea. Participou em mais de 90 filmes, entre ficção e documentário, seja como diretor e diretor de fotografia e ainda em outras funções. Muitos desses filmes são trabalhos revolucionários dos mais destacados diretores brasileiros, que alcançaram grande sucesso de crítica e público, além de numerosos prêmios. Entre eles estão: Terra estrangeira (1995), Central do Brasil (1998), Lavoura arcaica (2001), Madame Satã (2001), Carandiru (2003), Cazuza – o tempo não para (2003), Entreatos – Lula a 30 dias do poder (2004), O céu de Suely (2006), Baixio das bestas (2007) e Budapeste (2009).

SERVIÇO 27° Cine Ceará - Festival Ibero-Americano de Cinema - De 05 a 11 de agosto de 2017 em Fortaleza. Cineteatro São Luiz (Praça do Ferreira, s/n - Centro); Cinema do Dragão - Sala 2 (Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura); Hotel Oásis Atlântico (Av. Beira Mar, 2500 - Meireles), Acesso gratuito mediante ingressos com distribuição no local. Mais informações: www.cineceara.com. Facebook: Festival Cine Ceará. Instagram: @cineceara. Twitter: @festcineceara. E-mail: contatos@cineceara.com. Tel: (85)3055-3465.

Distribuição de convites e ingressos: PARA A ABERTURA (dia 5): Dia 4, a partir das 14 horas, na Bilheteria do Cineteatro São Luiz. PARA O ENCERRAMENTO (dia 11): Dia 10, a partir das 14 horas, na Bilheteria do Cineteatro São Luiz PARA AS MOSTRAS: Na CAIXA Cultural Fortaleza: a partir de 1 hora antes do início da sessão, na Bilheteria; No Cineteatro São Luiz: a partir de 1 hora antes do início da sessão, na Bilheteria; No Cinema do Dragão: a partir das 14 horas, na Bilheteria.

Com informações da assessoria de imprensa.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Planeta dos Macacos - A Guerra


Épico Planeta dos Macacos - A Guerra (War for the Planet of the Apes, Estados Unidos, 2016) de Matt Reeves, baseado no livro La Planète des Singes, de Pierre Boulle, fecha com louvor a excelente trilogia Planeta dos Macacos, que contou com o excelente A Origem (2011) e o mediano O Confronto (2014), num filme que dentre muitas qualidades, consegue transitar entre gêneros, tem várias referências bíblicas, e consagram definitivamente Andy Serkis como o melhor ator de captura de movimentos.

As frases iniciais resumem de modo simples e direto os acontecimentos dos filmes anteriores. César (Andy Serkis) e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel McCullough (Woody Harrelson) ao serem atacados onde vivem. Depois de uma traição, os macacos sofrem perdas inimagináveis, e César luta com seus instintos mais sombrios e planeja sua própria vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.


O filme é centrado na comunidade dos macacos, que levam uma vida baseada no apoio mútuo, na valorização da família e de princípios de união, para que possam se manter e permanecer fortes. São cativantes os momentos que mostram a rotina dos macacos. Apesar do filme tentar não ser maniqueísta, o público torce para os primatas, que são bem mais humanos que os humanos do filme.

A jornada dos macacos é longa, e a sobriedade do roteiro ajuda a construir a tensão necessária que o filme transpassa, especialmente no primeiro ato. No segundo, tudo indica estarmos diante de mais um filme de vingança, mas no fim vemos que nos deliciamos com uma bela história de fuga. Assim, o longa transita bem entre gêneros como ação, drama e suspense, sem perder o fio da meada. O alívio cômico com o personagem interpretado por Steve Zahn rende bons momentos que quebram um pouco o tom sombrio e denso do filme.

O sacrifício de César em prol dos macacos, bem como a fidelidade dos seus seguidores, nos remete claramente ao maior líder que a humanidade já teve. A cena da crucificação (em X) de César nos remete ao maior ato de amor que a humanidade já viu. As peregrinações dos primatas, também nos lembram de um outro evento bíblico, o Êxodo e o grande líder que foi Moisés, que assim como César, não desfrutou da terra prometida. Terminei o filme com lágrimas nos olhos.

Andy Serkis, que já merecia um Oscar desde o Gollum de O Senhor dos Anéis (2001). Os efeitos especiais do filme estão muito bons. A fotografia é prejudicada em função do 3D, que apesar de bem utilizado, é dispensável. A direção de Reeves é segura e apesar de extenso, o ritmo do filme é agradável, dosando os momentos de ação com a história que está sendo contada. É uma das, senão a melhor trilogia dos últimos anos, que se encerra (ou não) com chave de ouro.

Confira o trailer de Planeta dos Macacos - A Guerra:



7 Desejos


Suspense juvenil 7 Desejos (Wish Upon, EUA, 2017), de John R. Leonetti é agradável, apesar de previsível, lembrando os já clássicos filmes da série Premonição. baseado na curta história curta de W. W. Jacobs intitulada The Monkey's Paw.


O filme mostra a rotina de uma menina, que num dia comum se depara com o suicídio de sua mãe. Já adolescente, Claire (Joey King) ganha do pai (Jonathan Shannon) uma caixa com poderes mágicos, que lhe concede sete desejos, mas com um preço mortal. Ela acaba fazendo apenas desejos pessoais e coisas ruins começam a acontecer com pessoas próximas. 


Com a ajuda do amigo Ryan Hui (Ki Hong Lee), ela descobre que dentro da caixa vive uma entidade maligna, que pode estar causando esses acontecimentos terríveis. O ritmo do filme é bem interessante, com o roteiro de Barbara Marshall, apresentando de forma orgânica as consequências causadas por anos de bullying sofridas pela personagem.

A jovem protagonista Joey King já está em seu quarto filme de horror, alguns deles foram Quarentena (2008) e Invocação do Mal (2013). Aqui ficou bacana o clima adolescente, como o visto recentemente em Power Rangers (2017) e Antes Que Eu Vá (2017) seja no ambiente escolar, virtual e de relacionamentos da juventude moderna. Espero que os adolescentes (público alvo do filme) percebam que todo desejo que eles possuem, remetem a alguma consequência.


Veja o trailer de 7 Desejos:


Revendo Dunkirk


Revi o drama de sobrevivência Dunkirk (Dunkirk, Estados Unidos, 2016), de Christopher Nolan, que é uma aula de cinema e de história, ao te fazer se sentir quase que literalmente no meio de uma batalha de guerra. Rever o filme foi muito interessante, especialmente já sabendo os truques de montagens que foram utilizados pelo filme.



A trama relata um episódio marcante da Segunda Guerra Mundial, em que soldados das tropas aliadas foram encurralados por alemães nas praias de Dunquerque, na França, e tiveram que ser evacuados através do Canal da Mancha, em barcos. 340 000 homens foram salvos do local. Apesar disso, não é um filme de guerra e sim um filme de sobrevivência. Dessa vez não senti a ausência do inimigo, pois ele está presente à todo momento. A expectativa pelo filme em minha primeira vista, me prejudicou um pouco, como sempre acontece quando criamos expectativa...



Logo na primeira cena do longa, quatro soldados andam por ruas desertas de Dunquerque cobertas por panfletos que caem do céu e que avisam: “Nós te cercamos. Rendam-se e sobrevivam”. Os livros de História contam que verdadeiramente o exército alemão fez diversos panfletos para as tropas inimigas. Alguns dos papéis, escritos em francês ou inglês, chegavam a trazer mensagens positivas, tentando convencer os soldados de que desistir seria melhor para a sobrevivência. Outros possuíam mapas com a localização das tropas nazistas na área.



Em maio de 1940, o governo britânico precisava de embarcações pequenas para conseguir transportar os soldados das praias de Dunquerque para águas mais profundas, onde poderiam subir em veículos maiores. A solução encontrada foi recorrer aos barcos de passeio. Há relatos de que muitos proprietários não queriam deixar os seus barcos com os soldados e se voluntariaram para pilotar até o local, como é o caso do Sr. Dawson (Mark Rylance) que embarcou com o filho e um garoto para participarem do resgate.



Sabendo da montagem do filme nas três perspectivas: (do jovem Tommy por terra, a do veterano Dawson por mar e a do piloto Farrier por ar), é possível perceber os detalhes e a participação de alguns personagens de um núcleo em outro. Em uma das cenas mais tocantes do filme, soldados presos em Dunquerque assistem a um homem que começa a andar em direção ao mar até sumir entre as ondas. O que parece ser poesia pura, na verdade, aconteceu. Há relatos de um veterano da guerra que viu um homem indo para a água e, enquanto o soldado observava a cena de suicídio, pensava se não era apenas uma tentativa desesperada de voltar para casa. Por essas e outras o filme é tão bom e tão frustrante ao mesmo tempo.




O 
Comandante Bolton (Kenneth Branagh), interpreta atitudes que se assemelham com o que é atribuído ao capitão britânico William Tennant, que ficou conhecido pelo seu grande esforço para levar o máximo de soldados possível de volta ao Reino Unido enquanto esteve na França. As atitudes de outros personagens, como os soldados que ficam procurando formas de sair da praia, enquanto a Marinha não chega, e o medo dos militares de ocupar as partes fechadas de embarcações por conta da possibilidade de naufrágios eram comuns no período.




Em 4 de junho de 1940, Wiston Churchill fez um discurso na Câmara dos Comuns que marcaria a história do Reino Unido. Com o término da Operação Dínamo, que levou os soldados das tropas aliadas para casa, Churchill declarou: “Lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com espírito de confiança e força crescentes; defenderemos nossa ilha, não importa a que custo; lutaremos nas praias, lutaremos nas cabeças de praia, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nós nunca nos renderemos”. No longa, esse trecho é lido em um jornal por Tommy (Fionn Whitehead). Ele de fato foi publicado pela imprensa: foi capa do periódico Daily Mirror do dia 5 de junho com o título “Nunca Nos Renderemos”.




Os soldados voltaram da França, estavam envergonhados por serem evacuados e deixarem a região ocupada apenas pelos nazistas, sentimento representado no longa por Alex (Harry Styles, do One Direction). No entanto, ao chegar ao Reino Unidos, foram recebidos com grande animação pela população. O episódio em Dunquerque foi  visto como uma vitória e quase um milagre, por conta da quantidade de sobreviventes. É um filme para ser sentido e não simplesmente visto. A trilha de Hans Zimmer incomoda na medida certa. Gostei muito da dublagem do filme. São poucos os diálogos e as falas, mas elas foram bem representadas.

Veja trailer dublado de Dunkirk:


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