quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dunkirk


Drama de guerra histórico Dunkirk (Dunkirk, Estados Unidos, 2016), de Christopher Nolan apesar de usar de uma primorosa técnica de direção, montagem e de som, acaba deixando a desejar em seu roteiro. Não toma o posto de melhor filme de guerra do ano, que continua com Até o Último Homem (Hawksaw Ridge, Austrália/EUA, 2016), de Mel Gibson.


História baseada na Operação Dynamo, 
mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, planejada no início da Segunda Guerra Mundial na tentativa de evacuação de soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França, quando estes foram encurralados pelo exército alemão e precisaram ser resgatados durante uma feroz batalha na cidade portuária no Norte da França. Até civis foram convocados para ajudar no resgate de mais de 300 mil homens. Sob cobertura aérea e terrestre as tropas são lentamente evacuadas da praia num clima de tensão absoluto ao longo de todo o filme.


Tecnicamente o filme é muito bom. A cena inicial é de um vislumbre inimaginável e nos apresenta Tommy (Fionn Whitehead) e posteriormente um intrigante soldado francês (Damien Bonard). Eles tentam literalmente furar a fila para serem resgatados o quanto antes. Não entendi muito a função narrativa do 
personagem do Comandante Bolton (Kenneth Branagh). No núcleo do mar, o filme dedica um bom tempo de tela para o drama do personagem de Cilian Murphy, resgatado à deriva pelo barco de passeio do patriota Dawson (Mark Rylance) que atende ao chamado para ajudar a resgatar o exército de seu país. Neste núcleo, a subtrama envolvendo o garoto George (Barry Keoghan) parece fora de contexto, ao tentar incluir temas como o perdão, o rancor e até mesmo a vingança. Preciso registrar ainda o enorme desperdício de subutilizar o talento de Tom Hardy interpretando um heroico piloto (Farrier) que precisa destruir um avião inimigo ou ser destruído por ele, tendo que arriscar a própria sobrevivência, em função da falta de combustível. Destaca-se apenas a bela cena final do pouso na areia e captura de seu personagem (será que haverá continuação?).

Nolan é um baita diretor cinematográfico. Ele é admirado por se recusar a filmar com tecnologia digital, merece elogios por evitar o insuportável uso das três dimensões (3D), gosta de utilizar o quase extinto formato dos 70mm e se mostra contrário a exibições em telas pequenas, incluindo o lançamento de filmes diretamente em plataformas de streaming. Sou fã, não nego! Mas confesso que fiquei com um gosto
ácido de vinagre, no que poderia ser o melhor filme da carreira do diretor.

As tomadas de Dunkirk são de tirar o fôlego, especialmente com as câmeras IMAX. A montagem do australiano Lee Smith é digna de elogios, por ser criativa, mostrando três pontos de visão, sendo o que o filme tem de melhor, especialmente quando conseguimos perceber ao longo da projeção... O filme se apresenta em três núcleos: 1. O Molhe (deveria se chamar terra, ou píer e palco central das ações) que se passa ao longo de uma semana; 2 . O mar, ou especificamente um barco civil, que ocorre durante um dia e 3. O ar, que se passa ao longo de uma hora, mostrando o árduo trabalho dos pilotos da força aérea. O grande problema é que a trama demora em conectar os três diferentes espaços temporais.

A mixagem de som e os efeitos sonoros são fabulosos, capazes de te inserir na trama, a ponto de nos sentirmos literalmente na guerra. Provando que um bom filme, imerge muito mais que o fatídico uso de 3D. No entanto, apesar de todo apuro técnico, o roteiro do filme ficou aquém do desejado, com a montagem chamando mais atenção que a história em si. Queria que o Nolan tivesse me emocionado com uma história de guerra, e fiquei com uma enorme sensação de que faltou algo.


O filme poderia ter se aproveitado do caos que foi reservado a centenas de milhares de combatentes, mas Nolan optou por fazer todo um trabalho estético, mas com conteúdo limitado. Poderia ter aproveitado muito mais do elenco, do cenário montado, do realismo agudo, do palco bélico e ter apresentado uma história marcante. O filme despreza completamente o inimigo, não faz questão de deixar claro o que está em jogo neste confronto específico, tampouco qual foi o papel de Dunquerque dentro da Segunda Guerra. Ainda assim recomendado, porém sem tantas expectativas. 


Acompanhe o belo trailer de Dunkirk:




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